Esse é o segundo texto da Adriana Fazzi que venho compartilhar com vocês aqui no blog.

Fiz uma parceria com a Adriana para edição e correções em minha escrita e estou adorando.

Quero te convidar a ler o texto abaixo, escrito por ela!

Morte – Por Adriana Fazzi

O que eu faço com a dor?

Como é difícil conviver com ela.

Ela fica ali, por vezes aquieta-se e eu a esqueço, mas de repente, como que raivosa por ter sido legada ao esquecimento, volta com força total, tanto e tanto que o peito até dói fisicamente.

A morte se impõe a nossa vontade.

Entra em nossa vida como um furacão.

Oprime-nos, desestabiliza-nos, tira-nos a esperança e a alegria.

Pesadelo sem fim.

Queremos acordar, mas não conseguimos.

Eu sei, a sabedoria popular diz que: “a morte é a única certeza que temos na vida”.

Por que então não conseguimos lidar com ela com naturalidade, como o fazem alguns povos?

Por que não aceitamos e seguimos a vida sem o nó no peito, sem o vazio, sem a revolta, sem a dor…

É apego dirão alguns.

Pode ser.

Talvez seja mais a falta de compreensão, aquele entendimento profundo de que a morte realmente faz parte da vida.

Eu repito isto a minha filha quando ela chora a morte do avô (meu pai), quando a saudade aperta naquele coraçãozinho inocente.

Todos vamos morrer. Assim como morrem as plantinhas e os animais.

Lembro-a dos peixes que já morreram em nosso aquário.

Minha tentativa desesperada de que ela assimile que “a morte faz parte da vida, ponto”.

Mas tenho quase certeza de que na cabecinha dela deve estar: “mas o peixinho não é meu vovô.

Não dá para ir à loja e comprar outro vovô, como fazemos com o peixinho”.

Como farei para que ela tenha aquele entendimento profundo de que a morte faz parte da vida, se no fundo eu mesma não o tenho?

Eu desejo de todo meu coração, a ela e ao irmão, este entendimento, a aceitação.

Converso com eles com frequência sobre isto porque é frequente a lembrança do avô.

Racionalmente eu sei, mas meu coração não parece disposto a aceitar este fato, esta verdade.

E aí eu escondo minha dor em um cantinho qualquer e vou cuidar da dela.

E ela me pede: “Mamãe, fala com o Papai do Céu para ele deixar o vovô voltar”.

Engulo o nó na garganta e fortalecida pelo meu amor por ela respondo que… não é possível.

Ele não voltará mais… e ela se desespera.

Tenho vontade de falar da minha crença na reencarnação e na vida após a morte, que acredito que ele segue sua evolução espiritual em outro plano e quando necessário for, ele caminhará novamente pela Terra, com outra aparência, outra missão, outras lições a aprender, talvez a ajude, mas ela só tem seis anos…

Ela me pergunta com frequência: “onde o vovô está ele ainda pensa na gente?”

Eu digo que acredito que sim!

E ela pergunta se ele está feliz.

Ao que eu respondo que sim, pois está com a vovó (minha mãe), com a mamãe dele, e não tem mais o dodói que ele tinha.

Digo também que ele está feliz e orgulhoso pela menininha que ela é.

Que quando ela se comporta bem, estuda e fica feliz, ele também fica.

E assim, torço para que ela se acalme, entenda e aceite.

E eu procuro guardar estes pensamentos para seguir com a vida, enquanto não chega a minha hora de ir…

Atenciosamente,

Adriana Fazzi Caldas

Tradutora Inglês-Português/ Revisora Português

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