Alguém Se Sente Como Eu Me Sinto?

Acho que a primeira vez que eu escutei esta frase foi enquanto eu ouvia as músicas do Pink Floyd e devorava as letras.

Se você quer saber como surgiu esse meu interesse musical, dá uma olhada nesse meu vídeo.

Roger Waters, vocalista do Pink Floyd, cantava em alto e bom tom:

Existe alguém aqui que se sente como eu me sinto?

Assim sendo, estava eu trancado na solidão do meu quarto com um fone de ouvidos ligado ao meu disk-man e achei que talvez tivesse encontrado alguém que sabia como eu me sentia.

E como eu me sentia com 17 anos?

Perdido, sozinho e sem entender muitas coisas.

Ou melhor, sem conseguir aceitar muitas coisas.

Eu não conseguia entender porque me sentia tão rejeitado e sozinho.

Eu gostaria de entender porque as coisas não podiam ser mais simples.

Eu não conseguia aceitar muito do que acontecia na escola e em minha vida pessoal.

Parecia que as coisas não davam certo.

Parecia que as coisas não funcionavam como deveriam.

Esta semana acho que eu tive uma luz sobre essa sensação de frustração que eu sentia na adolescência.

Essa sensação de depressão, de melancolia, de vazio foi sentida, e me acompanhou, durante muitos anos da minha vida.

Desde o Namastê, Osho, Deepak Chopra, Bert Hellinger, etc, eu consigo observar com mais amor esses meus processos, e ainda os sinto.

Existem vários momentos que a sensação de achar que ninguém se sente como me sinto aparece.

Na semana retrasada eu acho que caiu uma ficha importante.

Eu estava jantando em um restaurante em Tours e havia um televisor no modo mudo passando vídeo clips atuais.

Eu assisti aos clips: clips de rap americano que parecem com os de funk carioca, clips de cantores teen ingleses que parecem ter saído da Malhação, clips de garotas muito parecidas com a Beyoncé, dançando como a Anitta.

E aí, uma ficha caiu.

O mundo perdeu a personalidade regional.

Isto significa que todos adolescentes, do mundo inteiro, gostam das mesmas coisas.

E então, como já disse em outros textos:

BANG.

FICHASKAEN.

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A minha geração foi a primeira do Brasil que assistia à MTV.

Mesmo eu tendo referências de Rock dos anos 1970, que é o caso do Pink Floyd.

Eu sou a geração MTV.

Geração X.

A geração globalizada e com muitas facilidades.

E sabe qual é a ficha?

A ficha é a ilusão da televisão, a ilusão da propaganda de cerveja.

A ilusão da VJ da MTV.

Você consegue entender que minha falta de aceitação na adolescência, que até hoje me traz vazio e tristeza, está relacionada ao que somos ensinados a entender como felicidade?

Coloque um jovem, 4 horas por dia em frente a uma televisão com clips de boys band, nos quais o boy sempre fica com a garota mais linda, e em seguida o envie para uma balada qualquer onde exista um clima parecido com o que estava na televisão.

Qual é a expectativa do jovem?

Minha expectativa enquanto jovem era sair com a garota mais linda.

Minha expectativa era ficar com a garota mais legal no final da noite.

Minha expectativa era que eu seria exaltado por todos os amigos, e aqueles que haviam feito bullying comigo ficariam com cara de “bunda”.

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Hoje eu consigo falar isso.

Hoje eu consigo perceber isso.

Na época eu não entendia.

Eu apenas percebia e sentia que algo não estava “certo”.

Assim sendo, buscava alguém que se sentisse como eu, e o Pink Floyd foi meu primeiro passo.

Em seguida, segui o movimento Punk.

Ser Punk, largado, desarrumado, era apenas um ato de rebeldia visto que eu não me encaixava no clube dos “Maurícios” da minha escola e da minha “vila” (gíria paulista para o bairro que moramos).

Já que eu não era aceito, encontrei um grupo dos não aceitos e nos distanciamos de tudo que era “normal”.

O lado bom desse meu movimento é que dei os primeiros passos para perceber que existia manipulação em massa e que eu escolhia ver o mundo além do top 10 da MTV.

Esse é outro movimento parecido com tomarmos a pílula da Matrix para encontrarmos a vida como ela é:

Livre das ilusões que consomem nossa energia.

Percebemos assim, que a garota mais linda da balada também é um padrão de beleza colocado em nossa cabeça.

Ao sair da Matrix, ao perceber que a felicidade não é uma balada de marca de cerveja, e que na praia nossa de cada final de semana não vamos encontrar modelos da propaganda de perfume, o que sobra?

Como você se sente?

Você se sente como eu?

Você consegue encontrar a felicidade em sua realidade?

Se sua felicidade está além do que você entende como felicidade, você se sente como eu: com um vazio que não tem explicação.

E o que fazer agora?

Entendo que temos duas opções.

Agir em sentido de buscamos essa realidade que pode talvez nos fazer feliz, ou mudar a nossa percepção de qual realidade nos faria de fato feliz.

Ou seja, tomar a pílula.

E para você?

Qual realidade você possui hoje que já faz você feliz?

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Talvez isso traga, para outros leitores, alguma clareza ou uma dose de realidade além das ilusões que compramos diariamente.