Estou Ficando Velho

Outro dia eu estava aqui no meu laptop e recebi um e-mail de uma pessoa.

Essa pessoa, estava com dúvidas sobre qual caminho profissional seguir, o que fazer da vida, etc.

Ela dizia que já fizera duas escolhas profissionais e que nenhuma das duas trouxera sentido para a vida dela e que ao se aproximar dos 28 anos, estava se sentindo velha e com medo de tomar outra decisão.

Enviei um breve e-mail para essa pessoa falando para ela dar uma olhada na página do Henkan e ver se ela entendia que poderia ser um caminho para ela seguir, e enquanto aguardo a resposta eu resolvi escrever esse texto.

A verdade é que sempre me senti fora da minha idade.

Desde que me conheço por gente eu não estou feliz com minha idade.

Essa sensação faz parte de minha vida.

Ela sempre vem à tona e começou, pelo que me lembro, quando eu tinha 12 anos e queria ir à domingueira do Aramaçan.

O Aramaçan é um clube com um salão de festas que no final dos anos 1980 era onde muitos jovens a partir de 14 anos se encontravam aos domingos à noite para dançar Depeche Mode, New Order, Eurythimics, entre outros.

Eu, desejava muito ter 14 anos para poder entrar.

O controle rígido de idade me barrou na porta uma vez, mas como eu era muito alto para minha idade resolvi tentar de novo, e em momentos de muita fila e pouca verificação da data de nascimento eu consegui passar.

Passei algumas vezes e fui barrado outras e eu sempre ficava querendo ficar mais velho.

Aos 14 anos eu já não gostava mais de música eletrônica por ter sido alvo de muita “zoação”, hoje conhecida como bullying, pelo meu estilo de dança.

Foi aí que encontrei o FRONT 575, também em Santo André, para escutar The Cure, The Sisters of Mercy, Bauhaus, The Cult, entre outros.

Nesse momento, o desejo era ter 16 anos.

O FRONT 575 acontecia aos sábados e a idade mínima era 16 anos.

Como já havia encontrado a estratégia, esperei a fila ficar grande também no Front e em alguns momentos de destreza conseguia entrar.

Como comecei a sair, comecei breves relacionamentos e precisava esperar o ônibus voltar a circular, o desejo era ter 18 anos para comprar um carro.

A questão é, sempre foi assim.

Essa sensação de insuficiência sempre aparece em nossa vida e parece que quanto mais o tempo passa, mais temos dificuldade em apenas viver e ser feliz.

A sensação de falta nos persegue e como aprendemos a ser cruéis conosco mesmos, procuramos e encontramos o motivo dessa falta, de forma muito rápida, pensando em nossa idade.

Não importa qual falta eu sinta, qual momento desafiador ou decepção aconteça comigo, mais cedo ou mais tarde eu chego na questão: e se…?

E se eu tivesse pensado isso antes?

E se eu fosse mais novo?

E se eu fosse mais velho?

E se eu ganhasse na mega sena?

E se…?

E se…?

Essa é a força que Eckhart Tolle compartilha sobre o Poder do Agora.

Ao abrir mão de toda e qualquer comparação do que o momento atual pode ou poderia ser existe paz e muita força na paz.

O momento presente é tão potencializador, pois é o único momento da ação, então a chave pode ser algo que Bert Hellinger contou ao telefone para um dos seus amigos docentes da Hellinger Schulle: Joel Weser.

Joel, nosso professor, contava para Bert Hellinger que estava com muita dificuldade em estabelecer uma rotina para escrever um livro, ele dizia que sempre lhe faltava motivação e quando a encontrava, faltavam ideias.

Bert Hellinger, com mais de 90 livros publicados em mais de 30 países, disse que também sentia muito essa dificuldade e que depois que fez 65 anos percebeu que sempre encontrava a motivação e a criatividade aparecia e perguntou:

Quantos anos você tem, Joel?

Quando Joel respondeu que tinha 50 anos Bert Hellinger finalizou a ligação: Ah, você ainda está novo, tem muito tempo para começar.

O que você acha que Bert quis dizer ao Joel?

Como Bert sempre diz coisas que estão ligadas a outras dimensões de consciência não estava se referindo à idade, à leitura, a motivações, ao autoconhecimento, à experiência, etc.

A meu ver e após refletir, e muito, sobre essa história, Bert Hellinger fez uma constelação com Joel ao telefone para que ele pudesse apenas relaxar e viver o momento presente sem cobrança.

A vida acontece quando abrimos mão. A vida acontece quando paramos de nos cobrar das coisas.

A vida acontece quando apenas relaxamos.

Que tal você apenas respirar nesse momento?

Que tal você apenas respirar profundamente e relaxar nesse momento e perceber que não existe nada de errado com você?

Que tal você apenas relaxar e parar de se culpar?

Estar vivo e ser feliz não está relacionado a alguma atividade.

Está relacionado a como você se sente ao realizar essa atividade.

E Bert Hellinger sempre nos ilumina com suas frases:

Vou contar uma história. Alguém estava viajando de trem num vagão-leito. Estava no leito debaixo e, em cima, havia alguém que ficava dizendo: “Estou com tanta fome, estou com tanta fome”. O passageiro debaixo foi até o vagão restaurante e lhe trouxe algo para comer. Passado algum tempo, o passageiro de cima, começou novamente: “Eu estava com tanta fome, eu estava com tanta fome”. – Bert Hellinger

Sem essa compreensão não importa o curso, constelação, terapia, método que você faça, seu caminho, sua carreira, sua vida pode se transformar quando você relaxar e permitir ser quem você é sem comparações.

Se você quer saber mais sobre como transformar sua vida a partir da compreensão de quem você é, pode me mandar um e-mail que sempre vou responder. Tenho até os 65 anos para fazer o que quiser.

Seus Pais Morrerão [Parte 4]

Como você pode saber, eu venho compartilhando minhas percepções com muito mais emoção e sentimento do que nunca sobre o que conhecia da filosofia das Constelações Familiares, do alemão Bert Hellinger, a partir dos movimentos e dos relacionamentos que meus pais tiveram esse ano com doenças.

Meu pai estava com problema no coração e colocou um marcapasso, enquanto minha mãe passa por radio e quimioterapia.

Essa semana eu gostaria de compartilhar uma das Ordens da Ajuda do Bert Hellinger.

Uma das ordens de ajuda é submeter-se às circunstâncias e apenas apoiar à medida que elas permitem.

Só essa frase do criador das constelações daria para eu escrever vários textos.

Bert Hellinger escreveu um livro sobre as ordens da ajuda e cada frase nos proporciona muitas reflexões.

Essa acima: “submeter-se às circunstâncias e apenas apoiar à medida que elas permitem”, já é possível pensarmos sobre minha mamãe e meu papai e como ajudá-los.

Nesse sentido, o que traz desordem a essa frase é querer ajudar enfraquecendo tanto a si como a quem pede ajuda.

Quando reconhecemos o verdadeiro e concordamos com ele, nos colocamos alinhados à força da própria vida, sem que seja necessário colocar nossas ideias ali.

Bert Hellinger traz essa frase acima que talvez você, assim como eu, acabou não entendendo ao ler pela primeira vez.

Confesso que eu li e reli essa frase algumas vezes e a maioria das vezes que marco constelações eu releio.

Porém, nesse momento da minha vida, e de forma mais profunda, consigo entendê-la e vou compartilhar porque.

Eu estava sendo muito discreto em relação ao que estava acontecendo com minha mamãe até que um dia compartilhei com uma amiga que me disse, assim que compartilhei o diagnóstico da minha mãe, com as melhores intenções:

Você sabia que o câncer é causado pela raiva?

Eu disse: Minha mamãe fumou por 60 anos, e ela continuou: Tem gente que fuma e não tem câncer, a questão com sua mãe é a raiva, talvez você queira conversar com ela sobre isso.

Como eu havia acabado de fazer uma formação em Barras de Access e aprendido uma técnica de harmonizar os relacionamentos e conversas, eu apenas disse.

Interessante ponto de vista.

Minha amiga continuo a explicar e confesso que desliguei do que ela falava.

Perceba que ao entrar em contato com as Constelações Familiares aprendermos a oferecer e a receber ajuda de forma mais eficiente, gastando menos energia.

Ao quebrar uma Ordem da Ajuda, a ajuda não tem nenhuma força.

A ajuda de minha amiga, mesmo que cheia de boas intenções, é um interessante ponto de vista, porém sem força, e espero que as explicações abaixo possam também servir para você quando você precisar de ajuda ou quando precisar ajudar alguém, pois, eu acredito, e muito, em buscarmos sempre manter a harmonia em nossos relacionamentos.

Sabe o que eu senti quando minha amiga disse que câncer era raiva, que minha mãe sente raiva?

Eu senti raiva.

Eu senti raiva de mim por não ter feito algo.

Ou seja, com essa frase da minha amiga eu saí do meu papel de filho, me coloquei maior e mais sábio que minha mãe e até mesmo que o câncer nos pulmões para o qual ela vem recebendo tratamento.

Por um minuto eu rejeitei as condições e circunstâncias que minha mamãe vem passando e pensei que eu poderia mudar o diagnóstico se eu a convencesse de abrir mão da raiva.

Eu me imaginei conversando com minha mãe, fazendo meditações, explicações e muito mais para salvá-la da raiva que ela sentia.

E, ao perceber o estado eufórico que meu corpo ficou e a respiração acelerada, eu parei.

Parei de querer saber mais do que minha mãe e voltei a encontrar meu lugar, pois:

1)      Sou filho, não tenho opiniões sobre o que meus pais fazem na vida deles. 

Eu apenas ouço e ofereço minha opinião quando solicitada.

Se minha mãe sente raiva ou não, isso é assunto dela.

Para ajudar minha mamãe comprei um presente: uma imagem de Nossa Senhora para decorar o quarto do hospital em que ela estava.

Decorar é uma palavra que vem do latim e significa de coração, a partir do coração. 

2)      Sou pequeno e não tenho nada a oferecer.  

Nunca tive câncer, não sei o que é ter câncer e tão pouco posso compartilhar um caminho para alguém sair do câncer.

Para ajudar minha mamãe eu perguntei:

Mamãe, a senhora quer comer algo diferente da comida que tem aqui no hospital? Posso buscar algo na rua para a senhora?

Minha mãe respondeu:

Biscoito de polvilho. Compra aquele mais fininho e redondo que tem aqui na porta do hospital. 

Esses dois pontos trazem ordem a minha ajuda, pois concordo com as forças da vida.

Se eu tivesse tentado ensinar algo a minha mãe ou oferecer alguma cura, eu ficaria fraco e minha mãe também.

Sabe o que vire e mexe escuto minha mamãe dizendo, e espero que você reflita sobre os momentos que você “ajuda” dando conselhos.

“Já ouvi tanta coisa para curar o câncer, só vou fazer o que os médicos dizem.

Minha mamãe está cansada de ouvir conselhos.

O que eu tenho está nas mãos de Deus, só vou passar por aquilo que preciso passar.

Minha mamãe reconhecendo a força da vida e vivenciando as circunstâncias assim como elas são.

E quando saio do papel de filho e falo que vou cancelar minha viagem para o Acampamento do Bert Hellinger minha mãe diz:

Já falei para você não se preocupar. Eu tenho amigas que vão me ajuda e sua irmã está aqui comigo. Eu dei a vida para você realizar seus sonhos, para você ser feliz. Eu tenho coisas para passar na minha vida e você tem coisas para passar na sua. Vá viver sua vida.

Na mesma noite eu estava sonhando e minha mamãe apareceu em meu sonho e disse:

Estou precisando de ajuda espiritual. Estão cuidando do meu corpo, mas eu preciso de ajuda espiritual.

Acordei e fui visitar minha mamãe e disse: Mãe, a senhora quer receber Reiki?

Uma amiga pode vir fazer na senhora, e conheço pessoas que podem fazer a distância. O que a senhora acha? Posso pedir essa ajuda?

E minha mamãe disse:

Sim.

Eu, Luiz Brites, sou filho e reverencio minha mamãe.

Eu, Luiz Brites reverencio Bert Hellinger.

Eu, Luiz Brites, sou filho e choro quando penso na saudade que vou sentir da minha mamãe, e as dores que ela vem sentindo.

Eu, Luiz Brites, honro minha mamãe e a história dela assim como é.

 Mamãe, quando a senhora morrer, eu sigo.  – Bert Hellinger

Amigos Reikianos eu digo: Gratidão Eterna.

Amigos e conselheiros de plantão eu digo: Interessante ponto de vista.

O que vai acontecer com minha mãe?

Eu acredito que o melhor.

Seus Pais Morrerão [Parte 3]

Como disse nos dois últimos textos, minha vida em 2018 vem sendo acompanhada de eventos que me forçaram a olhar de frente para o medo de que meu papai e mamãe podem morrer em breve.

Em relação ao meu pai, ele teve um mal súbito, passou por uma cirurgia para colocação de um marca-passo e já está de volta em sua rotina, enquanto o tratamento da minha mãe acontecerá durante alguns meses com um risco um pouco maior de momentos de sofrimento com rádio e quimioterapia.

Também e como já disse, estava eu em um bar logo depois de um lindo HEKAN do qual as pessoas saem extremamente felizes com o encontro com seu propósito de vida, e como era feriado de 9 de julho no dia seguinte, estávamos em um bar comemorando as descobertas durante o HENKAN e uma participante sugeriu uma saída a rua para que, conforme ela disse: pudesse jogar um pouco mais de câncer nos pulmões.

Eu olhei para ela, pensei na piada e na hora lembrei que em alguns momentos eu também já fizera piadas de mau gosto como aquela. Piadas chamadas de humor negro.

Entretanto naquele momento doeu.

Doeu muito e minha vontade foi levantar, mostrar a embalagem do cigarro onde estava escrito que fumar causa câncer, mas não levantei.

Lembrei de um vídeo que gravei em Porto Alegre dizendo que não existe indústrias más.

Lembrei que disse que,conforme Bert Hellinger, tudo está a serviço de algo que não compreendemos.

Todas as indústrias, todos os produtos estão a serviço da criação de empregos e do sustento de famílias que têm o pão de cada dia graças às vendas de produtos, não importa quais sejam.

Ao ter essa compreensão, buscamos diminuir o julgamento em várias áreas da vida, mas confesso que não esperava por algo tão impactante em relação ao cigarro vindo de uma fumante sugerindo jogar câncer para dentro dos pulmões enquanto minha mamãe estava internada com tal diagnóstico precisando de cuidados e atenção.

O que eu fiz foi fechar os olhos e compreender que até então eu não havia integrado plenamente o conhecimento em meu coração.

Minha raiva e vontade de falar tudo que eu estava pensando, sobre como o cigarro mata, foi gigantesca, então, em vez de entrar em uma discussão que seria iniciada a partir da minha dor e não traria nada de essencial para o momento, resolvi respirar.

Respirar com a intenção de sentir a raiva é algo que Bert Hellinger também nos ensina e eu coloquei em prática mais um dos seus ensinamentos: abrir espaço para TUDO, TUDO que acontece a partir do coração.

Qualquer outro movimento vindo de mim teria sido um grito desesperado, infantil, cheio de razões e conclusões e, se eu comentasse o estado da minha mamãe, todos ficariam do meu lado em uma eventual discussão com alguém que se recusasse a entender a visão dos cigarros a partir da minha dor.

E assim como as Constelações Familiares nos ensinam, respirei, integrei, aceitei e fui ao banheiro chorar um pouco para novamente respirar, integrar, aceitar, chorar, respirar e buscar sentir essas sensações.

A mesma sensação se repetiu quando vi o local onde minha mãe compra seu cigarrinho. Minha mãe não gosta de comprar maços pois, segunda ela, ela fumaria mais.

Seu vício é entre 3-5 cigarros por dia e ela os compra em uma barraquinha na calçada em frente ao supermercado perto da casa dela.

Outra coisa que lembrei foi que eu já havia brigado com minha mãe e pedido muitas vezes para ela parar de fumar,até o dia que vi que a recomendação do Bert Hellinger para essas situações é perceber que geralmente o filho que briga com os pais para eles pararem de fumar está em um movimento infantil inconsciente da criança que vive dentro de cada um e que está com muito medo de que seu papai e sua mamãe morram e, Bert Hellinger recomenda, e lembro claramente do dia que falei isso para minha mamãe assim como foi ensinado.

Mamãe, toda vez que a senhora fuma eu fico com muito medo de que a senhora morra. A partir de hoje eu vou respeitar sua decisão de fumar enquanto olho para esse meu medo de que a senhora possa morrer.

Sabe o que Bert Hellinger nos ensina sobre qual o movimento dos pais como resposta para tal conversa?

Eu sabia e, como sempre, minha mamãe sem nunca ter lido uma frase do Bert olhou para mim e disse:

Filho, eu vou morrer. Assim como eu sofri com a morte dos meus pais, você vai sofrer com a minha partida. Entretanto garanto a você uma coisa, você vai sobreviver e vai viver sua vida mesmo depois que eu for.

Nesse dia, a certeza de que meu caminho era o das Constelações Familiares tomou ainda mais meu coração e, em vez de ser apenas uma frase ou um livro de Bert Hellinger com algum conhecimento literal, graças a minha mamãe, a minha amada mamãe, sinto um caminho dolorido, porém de certa leveza ao olhar para a dor e as lágrimas que aparecem e respiro buscando senti-las enquanto o tratamento dela está acontecendo, e essa frase sempre vem a minha mente e eu convido meu coração dolorido a senti-la.

Mamãe amada, quando a senhora morrer eu vou sentir muito a sua falta, mas eu seguirei. – Bert Hellinger

Seus Pais Morrerão [Parte 2]

Na semana passada eu compartilhei algo muito profundo e pessoal que vem acontecendo na minha vida.

As internações e dinâmicas com meus pais, aqueles que fizeram minha existência possível, que tiveram coragem de me transmitir a vida, que já me deram tudo.

Como eu disse, meu pai passou por uma cirurgia e agora minha mamãe vai começar um tratamento contra o câncer.

Mas será que um tratamento contra o câncer pode ser efetivo se visto assim?

Bert Hellinger nos ensina que as doenças, quando informadas aos seus carregadores ou portadores, são vistas como algo que precisa ser tirado.

Ao querer tirar a doença, entramos em um padrão de rejeição que nos faz prisioneiros.

Se Bert Hellinger nos ensina: “tudo o que eu rejeito me aprisiona e tudo o que aceito me liberta”, o que esse constelador familiar deseja quando sua mamãe é diagnosticada com câncer?

A primeira coisa que desejei foi oferecer cuidado a minha mamãe e respeitar seus desejos.

Ao chorar junto com ela, eu fiquei em um estado calmo e respeitosamente escutei o que o médico tinha a dizer.

Alguns procedimentos foram indicados e seguimos, ou melhor, minha mãe os seguiu, e eu ofereci apoio a tudo que ela dizia.

Diante da minha estranheza em estar tão calmo, fui a minha casa.

Bert Hellinger deixa bem claro que a integração ao luto, a uma dor, a uma doença acontece em cinco etapas, assim como eu disse nesse vídeo:

Negação, raiva, barganha, depressão, aceitação.

Eu pulei algumas etapas e achei estranho, pois eu entendi de verdade o fato de que minha mãe está com câncer e aceitei.

Achei estranho, mas segui meu caminho entre atendimentos, noites no hospital, constelações, etc.

Porém, dois dias depois, eu estava em minha scooter indo a um atendimento, dois dias antes do último IKIGAI, último porque agora será chamado HENKAN, mas isso é assunto para outro texto.

E pensando na vida, lembrei da minha sobrinha de 5 anos, pensei no fato dela não ter passado tanto tempo assim com esse ser humano maravilhoso que também chamo de mãe.

Pensei nela e na sua tristeza infantil caso sua avó, minha mãe, morresse, e que provavelmente em alguns anos ela teria uma agradável lembrança sem muitas memórias da avó.

Pensei que ela provavelmente choraria no enterro e aí tive uma imagem clara do velório e enterro da minha mãe.

E assim sendo, bem-vinda etapa do luto chamada de depressão.

Imaginei a dor da minha sobrinha e me conectei com minha própria dor pela morte da minha mamãe.

E como Bert Hellinger nos ensina, uma frase veio a minha mente:

Mamãe, quando você morrer eu sigo.

As lágrimas foram diminuindo, a dor foi passando e aí me imaginei visitando a casa da minha mãe quando ela já tiver ido.

E assim sendo, bem-vinda etapa barganha, pois me deu vontade de levar minha mamãe ao João de Deus, que é famoso por curar diagnósticos parecidos, e novamente a depressão.

Continuei a chorar e chorei muito.

Ao encontrar minha mãe fiz a sugestão de irmos ao João de Deus.

Minha mãe disse:

Vou pensar.

Eu, fora do meu lugar de filho disse:

Vamos lá, mãe. A gente vai antes da senhora começar a quimioterapia e talvez nem precise fazer. Podemos ir assim que possível. A gente vai de avião, é rápido. 

Minha mãe ficou muita brava e disse:

Eu não vou agora, já disse.

Eu, em silêncio, lembrei do Bert Hellinger:

Filho apenas oferece cuidado, não opina e nem escolhe nada por seus pais”.

Confesso que mesmo sabendo da frase, tentei mais uma vez e minha mãe ficou muito brava.

Minha mãe, como sempre, me ensinado a sentir na alma o que acontece quando um filho não segue o que Bert Hellinger ensina.

Eu pedi desculpas e não fiz mais nenhuma sugestão, todas as minhas conversas com ela desde então, mesmo na dor, são:

O que a senhora quer?

E, mesmo querendo barganhar para encontrar cura, não faço nenhuma sugestão, apenas ofereço cuidado e ligo para ela muito mais do que eu ligava antes, apenas para dizer que a amo.

E sabe o que aconteceu?

Mais uma linda percepção de que Bert Hellinger é realmente importante para minha vida, pois ele trouxe harmonia para os desafios da minha vida nesse momento.

Dois dias depois disso, estamos em mais um lindo IKIGAI e, no domingo, como era antes do feriado de 9 de julho, pudemos sair e tomar cerveja com a maioria dos participantes.

Eu também queria estar com pessoas felizes que acabavam de reconhecer seu propósito de vida.

Foi importante para mim naquela semana desafiadora.

Fomos a um bar e de repente um maço de cigarro é colocado na mesa com a advertência que causa câncer virada para cima e bem na minha cara.

Minha mamãe fuma desde os 12 anos e no auge dos 70 anos, foi diagnóstica com câncer pulmonar.

Algumas cervejas e uma participante do IKIGAI diz em tom de brincadeira:

“Gente, vamos lá fora fumar um pouco e jogar câncer em nossos pulmões.

Quatro pessoas levantaram, inclusive uma que dizia ter parado de fumar, mas queria fumar naquele dia e dando risada que “era só um pouquinho de câncer”, foi incentivada a sair com o maço em mãos.

E eu, adivinha o que fiz?

Dei boas-vindas a mais uma fase do luto: Raiva.

E o que um constelador faz quando isso acontece?

Semana que vem eu continuo com essa história.

Seus Pais Morrerão

Esse ano tem sido um dos mais desafiadores da minha vida, e não é apenas por ter dado o salto de coragem para uma nova maneira de expressar quem eu realmente sou através de um trabalho como o que vem acontecendo na minha vida pessoal.

Como minha ideia é sempre compartilhar mensagens positivas que possam trazer novas possibilidades para a sua vida, resolvi não compartilhar o que vem acontecendo comigo.

Até então não tive fichas espetaculares e estava fugindo do assunto (agora percebo isso), justificando que precisava de uma ficha mais significativa para compartilhar por aqui.

O ponto é:

Essa ficha nunca chegou e agora entendi que nunca chegará.

O que entendi é que não estou desesperado e correndo para todos os lados, pois graças às constelações familiares criadas pelo Alemão Bert Hellinger, encontrei um caminho de leveza perante todas essas situações.

Desta vez a lição já estava dentro de mim e a vida me trouxe a parte prática.

Agora vamos ao texto sobre o que aconteceu e que me colocou mais próximo de um dos maiores medos da minha vida.

SEU PAPAI E SUA MAMÃE MORRERÃO

Em fevereiro eu estava em casa trabalhando em meus textos e me preparando para ir participar de mais um Namastê em Extrema quando recebi uma ligação da minha irmã avisando que meu papai não estava muito bem.

A história era que ele tinha tentado conseguir uma ambulância desde a segunda-feira e já estávamos na quinta-feira e ele ainda não tinha conseguido liberação da Prefeitura.

Apesar de ele ter um bom convênio médico, este só libera ambulâncias para transporte de um hospital para outro.

Não existe a possibilidade de retirada de pacientes em casa, apenas transporte entre hospitais.

Assim sendo, meu papai estava aguardando uma ambulância da prefeitura para levá-lo ao hospital.

Liguei para ele e aí percebi que ele estava realmente mal.

A expectativa era que a ambulância chegasse apenas na segunda-feira seguinte, mas percebi que ele estava muito mal.

O que um filho pode fazer em uma situação dessas?

Percebi uma vontade forte de querer salvar meu pai, e a filosofia das constelações entrou em prática.

“Um filho apenas oferece cuidado e se faz presente”.

Tive essa preciosa lição no último Camp da Hellinger Schulle na Alemanha.

Uma participante perguntou para Sophie Hellinger o que poderia fazer pelos pais que não tinham dinheiro e poderiam passar necessidade.

Essa participante disse que era difícil estar na Alemanha vindo da China, que os pais não tinham dinheiro, e ela tinha.

Sophie Hellinger, sendo hellingeriana, deixou claro que os pais não querem dinheiro dos filhos.

Os pais querem filhos, os pais querem que os filhos sigam com a própriavida e a melhor coisa a fazer é oferecer cuidado, quando solicitado, e presença, Sophie disse:

“Ligue para eles todos os dias, não leve dinheiro. Ligue todos os dias, agradeça pela vida e diga que os ama.”

Eu, enquanto filho, pensei nisso naquele momento que meu pai estava passando mal ao telefone.

Ele disse que estava bem, mas sua esposa, que não é a minha mãe,pegou o telefone e disse que ele estava mal mesmo, e que ela também não sabia o que fazer visto que meu pai é alto e com mais de 85 quilos e, para ela, é difícil fazer algo.

Eu disse para ela que eu iria “ver o que faria”.

Pensei, pensei rapidamente e fiz algumas cotações de ambulâncias para buscar meu pai em sua nova casa,aproximadamente 300 quilômetros de São Paulo.

Em seguida liguei para meu pai e perguntei se ele gostaria que eu fosse buscá-lo com uma ambulância. Meu pai respondeu de forma rápida, ou seja, mental, questionando os valores e eu respondi:

Papai, o dinheiro não é o problema, pois graças ao senhor eu tenho força para trabalhar. Se o senhor permitir que eu ofereça esse cuidado e esse apoio, eu o farei com muita honra.

Um silêncio constrangedor tomou conta da conversa, e eu perguntei novamente.

Papai, posso ir buscar o senhor, o senhor permite esse cuidado?

Mais um pouco de silêncio e uma torcida gigantesca da minha parte, visto que eu já havia percebido que ele estava pior do que eu pensava.

Nunca tinha ouvido a voz do meu pai tão fraca daquele jeito.

O silêncio foi seguido da palavra mais linda que sempre compartilho como a palavra mais possibilitadora para os desafios da vida.

Meu papai disse: “sim”.

Contratei a ambulância e fomos buscá-lo. Fiquei algumas horas no carro, ele recebeu tratamento e voltou para casadele.

Alguns meses depois, minha irmã me ligou novamente.

Achei estranho, pois senti a mesma sensação quando vi minha irmã me ligando.

Dessa vez, quem estava no hospital era minha mãe.

Minha mamãe é pequena e graças a uma intervenção do meu cunhado, ela já estava no hospital.

Ela foi internada e eu fui visitá-la.

Ela estava com muita tontura e náuseas e os médicos não sabiam do que se tratava.

Ficamos alguns dias revezando as visitas e quem dormia no hospital com ela.

Alguns exames e outros exames e poucos resultados conclusivos.

Alguns dias passaram, e ver minha mãe com náuseas e não saber o que fazer e ficar ao seu lado oferendo cuidado,segurando um balde, foi algo bem desafiador.

Uma manhã eu estava com minha mãe no quarto do hospital e um médico trouxe o diagnóstico. O médico compartilhou de forma polida e amorosa:

Sua mãe está com câncer.

E agora? O que o filho faz?

Esse filho aqui chorou ao lado da sua mamãe, que também chorava, e no próximo texto compartilho o que um filho pode fazer em uma situação dessas que, novamente, graças a minha mãe, tenho a oportunidade de aprender cada vez mais colocando em prática o que Bert Hellinger nos ensina.

Comparação – Por Adriana Fazzi

Dia desses revisei um texto do amigo, Luiz Brites, no qual ele falava sobre Comparação.

Quando comparamos quem somos, o que temos ou não, o que fazemos ou deixamos de fazer com a realidade de outras pessoas.

Percebi que faço isso sim.

Que fico triste sim.

Ao me dar conta disso, justamente pela leitura do texto dele, comecei a refletir.

Comecei a pensar em quem eu sou, meus dons, minhas fraquezas, o que já melhorei e o que ainda precisa de trabalho.

Lembrei de algo que falo sempre para minha filha:

Porque você acha uma pessoa bonita, você não tem que ser feia. Para você ser bonita, as outras não precisam ser feias.

Cada um é cada um, com sua beleza, sua graça, suas habilidades, suas deficiências e suas fraquezas.

Todos nós temos defeitos e virtudes, todos nós.

Então, é preciso conhecer e valorizar quem somos.

O pacote completo!

Adoro meus olhos verdes!

Meu pai e a mãe dele tinham os olhos azuis, minha avó materna tinha os olhos verdes.

Bacana, herdei.

É diferente ter olhos claros num país onde a maioria não tem.

Mas por isso não há beleza em outros olhos?

Claro que há, porque acredito que mais que a cor da íris, o olhar tem que ter vida, amor, compreensão, empatia.

Há olhares que sorriem e há os que choram sem verter lágrimas…

É possível ver tudo isso num olhar e não ver nada também.

Tudo depende do que há por dentro, a alma, a parte divina e o uso que se faz dela.

O quanto ela é alimentada, o quanto se busca eliminar defeitos e substituí-los por virtudes.

Ninguém vai ser canonizado, mas é possível ser melhor.

Para mim, esta é a razão principal de existirmos, muito mais do que ganhar dinheiro, pagar contas, adquirir bens materiais, porque, como dizia minha mãe:

Caixão não tem gavetas. Leva-se as experiências, os aprendizados, os sentimentos (sejam eles quais forem…). O corpo físico fica, a alma volta para o Pai.

Isso é o que eu acredito.

Todo o resto é apenas o meio, é o material para o aprendizado.

Então, acabei voltando ao tema do primeiro texto meu que o Brites publicou: Auto-observação.

É preciso olhar para dentro de nós, desarmados, com certa frieza.

A mesma que usamos para olhar para o mundo, para os outros.

Pois só assim conseguiremos nos ver como realmente somos.

O pacote que todo ser humano é.

Virtudes e defeitos, habilidades e fraquezas.

E ainda, é preciso lembrar que não cai uma folha de uma árvore sem o consentimento de Deus.

Então, é preciso lembrar que temos, ou não temos, o que precisamos para nossa evolução.

É preciso respeitar e amar quem somos.

Sair da comparação e migrar para a aceitação.

Ficar fascinado ou cair na vitimização só nos fará patinar.

Fácil?

Não, não é.

Mas é tentando, caindo e levantando que chegaremos a algum lugar.

Adriana Fazzi Caldas

Tradutora Inglês-Português e Revisora Português

afzcaldas@uol.com.br

55 11 94970-3468

Apenas Para Quem Já Se Sentiu Frustrado

Se você já leu meus textos ou participou do IKIGAI, sabe que eu gosto muito de verificar a etimologia das palavras.

Nesse vídeo eu compartilho o que é talento.

No texto de hoje vou compartilhar essa palavrinha chata que nos acompanha, pelo menos me acompanhou e acompanha e resolvi fazer algo a respeito.

Fazer algo a respeito é tomar uma ação, pois como diria Bert Hellinger: “Sofrer é mais fácil do que encontrar soluções.”

Todo consolo para uma vítima reforça a sua não ação.

Assim sendo, encontrei a origem:

Frustração é um substantivo feminino. A palavra tem origem no Latim frustrari, que significa “enganar, fazer errar”, que vem de frustra, que significa “erro, ato feito em vão.

Minha conclusão é que se eu acho que eu estou errado ou que meus atos são em vão é porque eu comparei meus resultados com os de outra pessoa.

Percebo isso muito constantemente em meus pensamentos.

A última constelação que aconteceu no Instituto Vereda teve 25 participantes, e mal havia acabado a constelação a sensação de frustração veio à tona quando percebi que eu ainda não havia marcado a próxima.

A intenção era comentar com os participantes presentes naquele dia caso eles quisessem voltar ou indicar a amigos.

Percebi imediatamente uma cobrança de: eu “deveria” ter marcado.

Ao usar esse verbo, “deveria”, eu me comparo e acho que estou errado e que meus atos podem ser em vão já que eu não fiz o que outros provavelmente fazem.

Minha conclusão é que toda cobrança gera uma frustração.

Se a cobrança é interna ou externa fico frustrado, pois errei onde outros acertam.

Tudo isso é uma baita ilusão criada a partir das comparações.

Se me esforcei e fiz meu melhor, só uma coisa pode ou deve acontecer:

O que, de fato, aconteceu.

Se não existe um grão de areia fora do lugar e tudo acontece como deveria, o que me traz frustação?

A COMPARAÇÃO

Nessas horas busco a compreensão das constelações e percebo o quanto eu ainda preciso integrar, cada vez mais, meus ensinamentos para que eles se tornem sabedoria, visto que saber também vem do Latim e significa sentir, sentir o gosto.

A compreensão que senti dessa vez é que não existem comparações a não ser em nossa cabeça, visto que quando éramos crianças, não fazíamos comparações.

Nesse momento, você, com certeza, deve estar questionando o que eu escrevi, pois você se lembra de algumas frustrações: não ter ganhado um presente, festa ou viagem que queria quando era criança.

No meu caso, minha frustração da infância era o video game.

Eu tinha o Phantom System, que era a plataforma Nintendo da época, e todos os meus amigos tinham MEGA DRIVE.

Comparação causa frustação e falta de gratidão.

Mas me refiro aqui a um momento anterior, um momento de plena felicidade, pois não havia comparações.

Sabe quando isso aconteceu?

Sophie Hellinger diz que ela ficou observando, na porta do hotel em que estava hospedada aqui em São Paulo, uma mãe e seu filho.

A mãe estava triste enquanto pedia esmolas na rua.

Ela estava com olhar preocupado e ficava frustrada quando não recebia esmolas.

O filho estava feliz, brincando.

Ele estava feliz, se divertindo.

Ele estava feliz por ter sua mamãe perto de seu coração e a aceitava em toda sua plenitude.

Ao lembrar disso concluí que quando falamos que nossa felicidade era na Infância isso, com certeza, está relacionado à fase de nossa vida quando não nos comparávamos a ninguém.

A felicidade infantil é livre de comparações, é aceitação plena de que tudo que temos, a vida que recebemos dos nossos pais, e tudo do jeito que é durante nossa infância é o melhor.

Não sei ao certo quando começamos a nos comparar. Não sei ao certo quando eu comecei a me comparar e achar que o que eu tinha não era bom.

Penso nisso e me vem lágrimas aos olhos, e ao escrever é mais uma constatação do quanto não aceitar o que nossos pais nos presentearam “deveria” ser de outra maneira.

Quer uma dica que estou aprendendo a saborear nesse momento para não sentir frustação?

Honre a vida que recebeu dos seus pais, reconhecendo-a como perfeita desde sempre.

Assim, quanto mais souber com sentimento mais você terá a sensação de alegria e paz no seu dia a dia.

Seja feliz aceitando a vida como ela é.

Como Saber Se Você Está No Caminho Certo?

Faz algum tempo que venho escrevendo artigos e, devido a minha paixão pelas Constelações Familiares, venho mencionando muitos ensinamentos sobre o Bert Hellinger e minhas experiências ao participar desse campo possibilitado por ele para encontrarmos novas soluções e novos olhares.

O que não venho mencionando muito é o que aprendi no primeiro livro que li quando entrei nesse caminho.

No meu livro “Ser Árvore” eu comento brevemente esse momento da minha vida, mas agora vou contar em mais detalhes.

Após um momento de crise profunda por eu ter tomado um “PÉ NA BUNDA” e ter a certeza de que eu tinha o dedo podre para relacionamentos, eu resolvi fazer algo de diferente.

Até aquele fim de semana eu buscava as respostas em religiões e em uma figura distorcida do que era Deus em minha vida.

Em minha dor eu resolvi parar de procurar respostas e colocar a responsabilidade em Deus e nas religiões que eu frequentava e decidi encontrar uma resposta.

Como eu já havia participado de alguns seminários da Seicho no ie, resolvi procurar no YouTube se existiam palestras sobre tal filosofia, pois minha busca era descobrir o que acontecia em minha cabeça para eu acabar sempre repetindo os mesmos padrões.

Encontrei os vídeos e comecei a assistir, como os vídeos eram muito longos acabei me desconectando e perdi a atenção.

No canto direito vi o rosto de uma moça com um título sobre desafios.

Lembro que ao ver isso eu disse:

“Nossa, tem cada maluca no YouTube”.

Continuei a procurar novos vídeos da Seicho-No-Ie e a cada nova busca eu encontrava um novo vídeo de mais de 1 hora, e do lado direito da tela aparecia o rosto da moça, e achei que ela estava me perseguindo.

Minhas buscam eram: padrões de pensamentos, sensação de rejeição, medo, etc.

E toda vez aparecia o rosto dessa moça chamada Flavia Melissa.

Resolvi abrir o vídeo dela de 10 minutos, minha ansiedade baixou e pensei: “10 minutos eu consigo assistir.”

Depois de 10 minutos, alguns tapas na cara, muitas lágrimas tomaram conta de mim.

Em seguida assisti a mais um vídeo, resultado: tapas na cara e lágrimas.

Em seguida mais um vídeo e a Flavia comentou sobre o Namastê.

Peguei o contato nos comentários do vídeo e mandei um e-mail pedindo informações.

Mais um vídeo, e ela fala sobre Deepak Chopra.

Na época eu morava em Mogi das Cruzes, perto do shopping, no centro da cidade.

Minha mãe estava me visitando e fomos ao shopping, eu tinha certeza de que não iria encontrar nada do gênero, mas para minha surpresa e plena sensação de paz, encontrei as Sete leis espirituais de sucesso e comprei o livro confiando plenamente, pois a Flavia Melissa havia mencionado em seus vídeos sobre esse guru.

Nesse livro, Deepak fala sobre como encontrarmos sucesso independente do que sucesso seja para nós.

De qualquer maneira, o que ele indica é como sabermos se estamos no caminho, eu uso isso até hoje.

Deepak comenta exatamente o que eu disse acima quando comprei o livro.

Ao querer fazer algo, busque a sensação de paz.

Ao decidir o que fazer, aguarde um minuto e apenas perceba a sensação que vem ao seu corpo. Se você sentir paz, alegria, prazer com sua decisão, isso significa que você pode ir em frente e realizar.

Se não se sentir bem, não faça.

Uma coisa que percebi ao colocar isso em prática, e sinto isso toda vez que estudo, presencio e me entrego para a filosofia das constelações, é que devemos ser fiéis à primeira sensação.

Ao tomar uma decisão, percebemos a primeira sensação que nos vem.

Em seguida, nossos medos, inseguranças, agentes sabotadores e tudo mais vêm à tona, e se não respeitarmos a primeira
sensação, somos tomados pela dúvida e não saímos do lugar.

Esse é o ensinamento de Deepak Chopra.

Perceba a sensação no seu corpo para saber se você está no caminho do sucesso e tenha coragem de agir mesmo com as sensações de dúvida que acabam surgindo.

E o que fazer com o Medo?

“Se der Medo, vai com medo mesmo.” – Autor Desconhecido

Herança É Maldição

Na última semana eu tive a honra de participar do primeiro Congresso Internacional de Direito Sistêmico no mundo.

Esse é um congresso extremamente especial para o Brasilpois somos o único lugar no mundo que teve permissão e força para crescer e ser oficializado perante todo judiciário nacional. 

Confesso que eu não sabia ao certo por que estava participando, a não ser pelo rumor fortíssimo de que o criador das Constelações Familiares, o alemão Bert Hellinger, de 94 anos, estaria presente.  

De qualquer maneira eu estava lá e como constelador que sou, esperei.

Bert Hellinger não estava fisicamente presente, mas Sophie estava.

Sophie Helliner, a mulher de Bert Hellinger, abre o congresso com uma frase que mexeu comigo:

Estou aqui porque eu posso e tenho permissão. 

Assim como todas as frases que surgem nas Constelações e especialmente as verbalizadas ou escritas por Bert e Sophie Hellinger, fiquei muito tempo pensando. 

Quando ela diz “eu posso”, pode soar arrogante, mas quando seguido de “tenho permissão”, torna-se totalmente humilde. 

Eu posso, pois tenho condições, estudei, estou vivo, tenho força, sou merecedor e tenho permissão, no caso da Sophie, tanto do próprio Bert Hellinger quanto da força que controla tudo que acontece na Terra que eu conheço como Deus.

Se eu posso algo e consigo realiza-lo é porque tenho permissão para usufruir de todos os benefícios e de tudo que receberei como fruto das minhas ações.

Lembrar dminha vida foi importante.

Lembrar das Constelações Familiares que acontecem quando sou o constelador, por quase 4 anos, me faz ter a certeza de que eu posso, pois estudei e me dediquei demais aos estudos do Bert Hellingere porque tenho permissão de Deus para que esse lindo campo de soluções possa atuar para todaas pessoas que puderam e tiveram permissão de me encontrar. 

Sim, apenas uma frase já teria valido a pena para eu olhar para toda minha história de vida, aceitar o que não foi permitido acontecer e honrar tudo que foi permitido acontecer.

Nos dois casos foram muitas coisas, muitas mesmo.

Gratidão Vida. 

Teria valido a pena demais, e entre outras coisas, uma querida amiga que conheci no Hellinger Camp de outubro de 2017, chamada Fernanda Andreani, foi uma das advogadas estudantes da turma de Direito Sistêmico apresentar seu projeto e olhar de como as Constelações Familiares atuam em seu trabalho.

Fernanda Andreani trouxe um olhar para as Heranças.

A frase utilizada por ela para abrir seu discurso foi a mesma que dá título esse texto:

Quando não vista como um presente, a herança é maldição.

Graças a Bert Hellinger tenho a percepção de que heranças, quando exigidas, congelam vidas.

Todo aquele que vive de uma herança, ou espera por uma, fica congelado(a) por estar preso a algo que não lhe pertence e não tem permissão dessa força que controla tudo, inclusive os tribunais.

Entretanto a amiga, Doutora Fernanda Andreani, trouxe uma nova compreensão sobre esse tema.

Ela, possuindo poder e permissão para expressar o que ela acredita, disse algo que mexeu comigo tanto por ser profundo e me trazer muitas reflexões como por me alegrar ainda mais em ser seu amigo.

Em suas palavras, minha amiga doutora deixou claro estar totalmente conectada à Sophie Hellingerà sabedoria das Constelações e, em especial, ao discurso de abertura do congresso.

Fernanda também explicou sobre o congelamento que uma herança causa, pois esperamos algo que não nos pertence e continuou…

Ela disse que aqueles que esperam por heranças carregam a ilusão de que não receberam tudo de seus pais e reivindicam algo para que sua vida possa continuar:

O imóvel que não vende, o inventário que não sai, o dinheiro que não é liberado pela “justiça” e toda e qualquer riqueza que esperamos de alguém que morreu.

Essas riquezas, disse Fernanda, não são nada comparadas às riquezas da vida.

Não existe nada mais rico, abundante e cheio de possibilidades do que a vida, a vida que recebemos de nossos pais.

A vida não é uma herança. A vida é um presente.

A vida é a força que nos é transmitida para que um dia, ao realizarmos alguma atividade, possamos dizer que podemos e temos permissão.

Podemos, pois tivemos força para nos preparar e temos força para compartilhar o que recebemos.

Temos permissão, pois essa força maior nos dá tal permissão para realizarmos, pois se Ele não permitisse, não realizaríamos. 

Temos o poder e a permissão de fazermos nossa parte no mundo, proporcionar riqueza muito além do dinheiro e assumirmos a nossa vida sem reivindicar nada que aqueles que vieram antes cultivaram. 

A Herança se torna uma maldição, pois prende você a algo que você não tem permissão e tão pouco poder de utilizar.

Você não daria conta.

Essa foi a conclusão que minha amiga proporcionou para minha vida e assim eu sigo.

Sigo com a minha vida.

E você?

Está esperando algo de alguém?

Percebe as coisas paradas ou congeladas?

O olhar das Constelações pode apoiar você para que a SUA VIDA, aquela que você recebeu através dos seus paispossa fluir como um presente. 

Como Fazer O Brasil Melhor

Se esse é o primeiro texto meu que você lê, eu gostaria de dizer-lhe que eu sigo as Constelações Familiares do alemão, Bert Hellinger, como filosofia de vida.

Outra coisa que gosto muito de fazer é entender a etimologia das palavras. Filosofia, por exemplo, é uma palavra de origem grega que significa: Amor à Sabedoria.

A Filosofia também é conhecida por ser estudo dos fundamentos mais básicos de nosso cotidiano, buscando encontrar quem nós verdadeiramente somos e, para mim, não existe amor ao conhecimento maior do que nós mesmos.

E, desta maneira, eu sempre busco conhecimento e estudo as Constelações Familiares. 

As Constelações Familiares receberam esse nome aqui no Brasil por um erro de tradução.

O primeiro livro que chegou aqui era americano que também havia sido traduzido errado nos Estados Unidos recebendo o nome de Constelation

A tradução correta ou como “deveríamos” chamar as Constelações Familiares seria: Posicionamento Familiar.

Assim sendo, o estudo da filosofia das Constelações Familiares nos leva a compreender e a sentir que temos força ao reconhecer qual é nosso lugar dentro do nosso sistema familiar e assim, tudo melhora, quando pertencemos e temos um lugar. 

Uma frase da Madre Teresa de Calcutá sempre chamou muito minha atenção. 

Quer fazer o Mundo melhor? Vá para casa e ame sua família.

Nesse momento, gostaria de trazer um novo olhar, pois através das Constelações Familiares eu entendo que encontrei um lindo caminho para amar minha família.

Quer fazer o Mundo melhor? Vá para casa e se posicione como filho.

Ao ser filho, eu dou direito de pertencimento ao posicionamento pequeno que tenho.

Na minha casa sou o caçula, o pequeno, o menor.

Isso significa que eu não dou palpite na vida de ninguém da minha família e que apoio suas decisões.

Quando algo que acontece ou pode vir acontecer é compartilhado comigo eu expresso minha opinião me posicionando como filho e isso significa que sempre indico que essa é apenas minha opinião e que não importa qual seja a opinião dos mais velhos, irei apoiar. 

Tal posicionamento é libertador, pois ao reconhecer meu lugar como pequeno eu permito que todos os meus familiares se reconheçam como grandes que são e a vida melhora, a paz chega.

luiz brites - meditacao

Os desafios continuam, a vida continua, mas de uma maneira melhor, mais leve para mim e quem sabe para os maiores da minha família também.

Compartilho aqui algumas frases de Bert Hellinger que me apoiaram nesse processo.

Quando eu encontro meu lugar, eu permito que todos encontrem o seu. – Bert Hellinger

Uma pessoa está em paz quando todas as pessoas que pertencem a sua família têm lugar em seu coração– Bert Hellinger

Sábio é aquele que sabe os limites do que pode ou não ser realizado. – Bert Hellinger

 E você deve estar perguntando, como fazer o Brasil melhor?

Vá para casa e encontre seu lugar.

Todos os outros relacionamentos, o mundo, a política, a greve e todo resto vai melhorar.

Uma pessoa está em paz quando todas as pessoas que pertencem a sua família têm um lugar em seu coração.– Bert Hellinger