Coisas Que Quem Está No Caminho Da Espiritualidade Já Disse Ou Passou

Essa semana eu quis compartilhar algumas percepções que tenho quando busco compreender mais a fundo alguns padrões pelos quais eu passo todos os dias.

No caminho da espiritualidade encontrei muitas pessoas que compreendem a necessidade de estarmos atentos, mas isso não significa que estamos livres de qualquer sofrimento em nossa vida e tão pouco das situações peculiares que comento abaixo.

1. “Uma dose de ignorância, por favor”

Quando entramos nesse caminho da espiritualidade e começamos a perceber que somos os plenos e únicos criadores da nossa realidade, começamos a nos responsabilizar por tudo que nos acontece.

Isso não necessariamente faz nossa jornada mais difícil ou mais fácil.

Isso significa que existem momentos em que queremos tanto culpar alguém, mas não existe quem culpar.

As coisas são de acordo com as nossas escolhas e quando nos deparamos, em um momento de dor, com os fatos como eles são, queremos fugir.

Talvez fugir pelo menos um pouco.

Em momentos assim eu lembro do personagem Cypher do filme Matrix que negocia voltar para a matrix com todos os prazeres possíveis e sem sofrimento algum.

Ele escolhe voltar totalmente para a ilusão sem lembrança da realidade.

Já ouvi e já disse essa frase:

Uma dose de ignorância, por favor.

Mas na hora do vamos ver, escolhemos a compreensão.

Obs.: Essa frase aprendi com a Dri Moreira do Namastê.

2. Novos e antigos amigos

Essa é um fato que constantemente acontece em nossa vida, não apenas quando seguimos no caminho para estarmos despertos.

O fato é que percebemos amizades de longa data simplesmente se afastando e novas se aproximando.

A solidão é percebida nesses momentos, visto que novas amizades também têm seu tempo, assim como tudo no Universo, para criarem ligações mais profundas.

O grande fato é que conseguimos perceber com mais compreensão e menos apego às idas e vindas de pessoas em nossa vida.

3. Você não come carne?

Essa pergunta na verdade tem muitas variações:

Você come carne?

Por que não come carne?

Peixe você come?

Pode matar peixe e não vaca?

Mas se você bebe leite como você é espiritualizado?

Come queijo?

Como você compra as coisas?

Você não sabe que é carnívoro e precisa de carne? Etc.

Estas perguntas tomam conta do nosso convívio especialmente quando conhecemos novas pessoas.

O que realmente entendo é que cada vez que me fazem esse tipo de pergunta é uma grande oportunidade para eu olhar para os meus motivos, para as minhas crenças e compreender a minha parte ou não em relação a esse assunto.

Digo compreender, pois ao não comer carne, podemos respeitar as escolhas de todos e em alguns momentos plantar uma semente na percepção de alguém que possa, eventualmente, e em seu tempo escolher uma alimentação mais consciente.

4. Você está fumando maconha?

Tal piada também é frequente.

Ao buscarmos estar atentos às nossas sensações e à essência de nossos sentimentos e de nossas motivações, conclusões não pragmáticas, porém pacificadoras para nossos momentos desafiadores, aparecem.

Em um primeiro momento queremos contar a todos as “boas novas”, assim como diz a Caverna de Platão.

Porém a conclusão das pessoas a quem contamos é que estamos loucos e devemos ter acabado de usar, ou ter usado muito na vida, ou estamos sob efeito de algum alucinógeno.

O que digo é que essa tal de consciência é a coisa mais forte que já usei (risos).

5. Mas você tem muitos recursos e ferramentas, por que está assim?

Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço?

Como disse na abertura desse artigo, ninguém está livre do sofrimento nessa realidade que conhecemos.

A primeira nobre verdade de Buda reafirma o que digo.

Primeira nobre verdade: existe sofrimento.

O que acontece é que quem está no caminho da espiritualidade só o faz com congruência, pois aceita seus sofrimentos.

Não existe ninguém melhor nem pior.

Cada um está em seu momento e as pessoas no caminho da espiritualidade também sofrem.

Às vezes demoramos mais, às vezes menos para viver esse mantra maravilhoso: ”aceita que dói menos”.

Em momentos assim, em um passo anterior a compreensão plena, comumente passamos pelo item 1 desse artigo: “uma dose de ignorância, por favor”.

E você? Se você também está nesse caminho, quais são as outras coisas que você escuta ou passa em seu dia a dia que sejam semelhantes ao que compartilhei aqui?