Como Viver Verdadeiramente a Liberdade

liberdade

A palavra liberdade veio à tona em minha vida enquanto eu tinha uma banda, a Bad Habit.

Hoje não me lembro mais o porquê desse nome.

Na época era algo muito legal e eu me divertia bastante tocando em bares espalhados por São Paulo e o grande ABC Paulista, para públicos que não passavam de 20 pessoas por noite.

Foram três anos de banda e ainda converso com a maioria dos membros até hoje.

Nosso maior propósito era expressar o que pensávamos e sentíamos.

Uma das nossas principais bandeiras da época era a liberdade de expressão.

Fugíamos de rótulos e dizíamos que iriamos fazer apenas o que queríamos fazer, sem estar ligados a uma gravadora ou a ninguém que pudesse opinar em nossa música.

Enquanto estávamos um dia fazendo algumas letras na minha casa, que era onde ensaiávamos e o ponto de encontro da banda, eu resolvi ensinar meu pai sobre a palavra liberdade.

Meu pai, em sua sabedoria, apenas observava enquanto eu afirmava em toda minha arrogância que liberdade era fazer tudo que eu queria. E eu dizia:

Liberdade é poder expressar o que penso, fazer o que amo e simplesmente me importar apenas comigo.

Não sou um escritor tão bom para deixar claro que meu discurso da época era muito agressivo e quando lembro da cena, eu lembro de estar em pé na frente do meu pai que estava no sofá e eu movimentava muito meus braços.

Movimentos consistentes e fortes de alguém que sabia de tudo e não estava disposto a ouvir nada.

Como disse, meu pai apenas observava e quando terminei ele me pontuou:

Tudo bem, entendi que você sabe o que é liberdade, agora me diga onde ela termina.

Tive um momento “pane no Windows” e minha tela ficou azul alguns minutos.

Ele continuou:

Sua liberdade termina quando começa a do outro. Faça o que você quer e o que te deixa feliz. Entretanto, esteja atento para não interferir nos direitos dos outros.

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Em seguida eu não lembro o que aconteceu.

Entendo que minha “pane do Windows” continuou e meus amigos da banda também ficaram em silencio.

O mais difícil na minha cabeça naquele momento era pensar como meu pai poderia ter dito algo que eu não sabia.

Além do mais, eu constantemente o julgava e me sentia incomodado quando ele estava próximo.

Eu dizia:

Meu pai me irrita demais.

Bert Helllinger explica o motivo de tal incomodo.

Ele diz que a confusão adolescente em relação a questionar os pais e no caso dos homens em relação a entrar em atrito com o pai é comum.

Ele diz que tal sensação de desconforto quando os jovens estão próximos aos pais está a serviço do movimento para que os filhos busquem sua própria vida e deixem os pais com a vida deles.

Essa sensação de possível irritação faz o movimento de percepção de que o pai e a mãe já deram tudo que tinham ao jovem: a vida.

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A partir da adolescência, inicia-se o movimento de afastamento físico para que o jovem siga seu caminho.

Para mim isso faz muito sentido e explica muita coisa, minha conclusão é que quando os filhos viram pais, eles iniciam o processo de retorno à aproximação aos pais.

Pois quando se tornam pais, efetivamente e pela primeira vez conseguem de fato entender o que é ser pai e iniciam um processo de reconhecimento a tudo que os pais fizeram por eles.

Eu não sei o quanto mais eu irei ter o prazer de poder expressar o que sinto e fazer as coisas que eu amo.

O que sinto de coração é que o que faz mais sentido pra mim nesse momento da minha vida é poder livremente gritar, escrever, gravar vídeos e dizer:

MEU PAI É O PAI CERTO PRA MIM.

Essa é minha liberdade!

Essa é a liberdade que as Constelações Familiares causaram em minha vida.

O peso da arrogância, como se fosse uma bola de ferro presa aos meus tornozelos, foi removido fortemente quando participei pela primeira vez do Namastê e cada Constelação que acontece eu me sinto cada vez mais livre.

Como a Angélica Oliveira disse:

Não existe ninguém que já trabalhou os pais, isso deve ser feito assim como as refeições: 3 vezes ao dia.

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Caso queira saber como sentir liberdade e ser sábio em respeitar o limite de liberdade dos outros, vou sugerir uma leitura de parte da oração do Pai Nosso:

Perdoai as nossas ofensas.

Demorou uma vida para eu poder ter a honra de pedir perdão a minha mãe e ao meu pai por todas as vezes que eu os ofendi.

Eu nunca fui de causar muitos problemas graças a educação que eles me deram enquanto eu crescia. Hoje reconheço e honra a maneira que fui educado. Na época eu os desrespeitava muito e vivia sendo um adolescente rebelde sem causa.

Nada foi mais libertador do que eu pedir perdão a eles, aos dois. Eu constantemente, segundo Bert Hellinger, desrespeita a hierarquia familiar.

Eu tive essa honra em poder ter entrado em contato com a filosofia Hellinger enquanto eles estão vivos.

O que eles disseram em retorno, como todo pai e mãe, foi que eu não deveria pedir perdão.

Entretanto pedi perdão. Esse momento foi profundo. Olhar nos olhos deles e poder dizer isso foi muito especial e toda vez que encontro com eles eu repito que sou grato a vida que eles me deram.

Estou vivo graças a eles.

Eles também estão vivos, e poder dizer isso é o verdadeiro significado de liberdade conforme meu papai me ensinou: fiz o que amo, o que traz sentido a minha vida e não prejudiquei ninguém.

SOU LIVRE.

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Existe um outro mantra sagrado que também esta na oração do Pai nosso.

Seja Feita a vossa vontade.

Quer saber um pouco mais sobre o que penso sobre essa parte da oração?

Te convido a ver meu texto sobre aceitação.

Sobre a Aceitação

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