Criativo ou Vítima: Dois Modos de Manifestação

Eu estava com o Pedro Céu fazendo as gravações do meu vídeo para o #EUSOUL.

Se você ainda não viu esse vídeo, pode assistir clicando Aqui!

Depois das gravações, estávamos conversando sobre como eu uso a metáfora da árvore em um processo de Coaching de Carreira Sistêmico para fazer as pessoas encontrarem um propósito de vida.

Meu amigo Pedro Céu compartilhou um livro de Rick Jarrow chamado Criando o Trabalho que você Ama – Coragem, Compromisso e Carreira.

Enquanto eu estava indo para Abadiania para receber os tratamento na casa de Santo Inácio de Loyola dirigida pelo João de Deus, encontrei as linhas abaixo que me causaram muita emoção e foi lindo encontrar outro autor que também acredita na linha de pensamento que eu sigo.

Portanto, eu resolvi compartilhar o início de uma capítulo desse livro que pode também ser de grande importância para seu processo profissional e de vida para encontrar um caminho.

Esse capitulo é o segundo com o título:

Criativo ou Vítima: Dois Modos de Manifestação

O entendimento convencional da manifestação segue a polaridade Oriente-Ocidente. Em geral, o caminho oriental é associado à renúncia da vontade e à dedicação para experimentar a realidade interior, enquanto o caminho ocidental é associado ao desenvolvimento da vontade e sua imposição sobre uma realidade externa. O Ocidente tem sido comparado a um cego e o Oriente, a um coxo. Um deles anda, o outro enxerga, mas precisam um do outro para atingir a verdadeira plenitude. Também se podem visualizar o Oriente e o Ocidente coexistindo dentro da nossa própria experiência. Somos ao mesmo tempo do Oriente e do Ocidente, e a tarefa de encontrar o nosso trabalho correto consiste em harmonizar esses dois aspectos de nosso ser.

maos - mapa mundi

Pode ser útil examinar uma série de falhas comuns das carreiras à medida que estabelecemos as bases para a criação do trabalho que amamos: há aqueles que buscam galgar a escada do sucesso corporativo e descobrem apenas que o topo da escada, como Steven Covey coloca tão bem, está encostada no prédio errado. Além deles, há os profissionais de saúde exaustos de tanto trabalhar, que se esgotaram tentando ajudar os outros. Outro protótipo é a pessoa que foi ao encalço de um interesse muito particular pela via acadêmica, mas agora não encontra no mundo um lugar comerciável para si mesma. E há ainda aqueles que nunca levaram a sério o mercado de trabalho até o nascimento de seu primeiro filho.

Seria necessário, então, que todas essas pessoas se ajustassem ao mercado, pusessem uma máscara e abrissem mão de suas paixões mais profundas a fim de se encaixar no mercado de trabalho e sobreviver? São perguntas graves. Seria possível dizer com sinceridade: “Basta fazer o que você ama e o dinheiro virá”, mas, e se o dinheiro não acompanhar o ritmo de suas reais necessidades? E se você não tiver ideia do que você ama? Crucial para a resolução dessas questões é entender a dinâmica da cocriação. Existem leis mais profundas por trás dos sistemas econômicos e sociais que parecem dominar nossas vidas. Nossa tarefa é aprender a integrar essas leis a nossas vidas de forma que elas apoiem a mais completa expressão de nós mesmos por meio de nosso trabalho.

Há muitas maneiras de introduzir a dinâmica da cocriação, mas, para fins de clareza, explicarei duas possibilidades de carreira. A primeira é a da vítima: a vitima das demissões coletivas, da economia, da sociedade, da família, da carência de educação – a lista pode ser interminável. A segunda é o caminho do criativo – aquele que vive de tal maneira que o mundo começa a evoluir em torno de sua concepção, criando um ambiente que essa concepção possa se desenvolver e florescer.

Não é fácil percorrer o segundo caminho. É preciso ter coragem para ganhar a vida com a própria autenticidade e ter comprometimento para manter a rota, mas o esforço para fazê-lo revela leis sutis que são tão reais quanto as taxas de cambio. Só que essa moeda – esse meio circulante, que traz à mente a ideia de “transmissão de energia” – é de outra natureza. E é essa outra natureza, essa circulação intrínseca, que podemos mobilizar e trabalhar em prol da manifestação de uma realidade exterior que corresponda às leis internas de nossos seres. Ao fazer isso, podemos começar a resolver a tensão entre economia e espiritualidade, pois é a concepção das duas como distintas que deu origem ao caos, em todos os níveis. A isso é o que Buda chamou modo de vida correto. As perguntas que precisamos fazer são: O que é certo? Isto é, o que é necessário para se viver? Qual é meu dharma, a lei do meu próprio ser? As respostas a essas perguntas podem ser mais bem compreendidas através de um processo. Essas respostas não são reveladas nem em diligente determinação para esmiuçar a si mesmo e a própria vida.

céu - estrelas

Podemos falar sobre a nossa concepção de modo romântico, mas as concepções muitas vezes se alteram na medida em que mudam nossas emoções, ou são capturadas e canalizadas através de uma mística inconsciente acerca da participação, em que a concepção pessoal pode ser uma tarefa perturbadora porque cria-la não é um fenômeno exclusivamente individual. Não se pode ter uma concepção sem uma linguagem e forma coletivas que ofereçam apoio externo para que tal concepção se concretize. Portanto, ao examinarmos nossas concepções pessoais, devemos também analisar todo o fenômeno dos relacionamentos – como, onde e por que nos ajustamos àqueles que nos rodeiam. Uma concepção bem-sucedida precisar ser cultivada: tal como um jardim, exige planejamento, nutrição e carinho para que possa crescer de sua própria maneira natural.

Como pode entrar no caminho criativo? O primeiro passo é estabelecer um discernimento claro entre a consciência da vítima e a consciência “criativa”. Uma vez que tal distinção fique clara, será possível abrir as portas da experiência e inspiração visionárias a partir de uma posição de força e funcionalidade. O ser criativo não é inundado por visões ou outras formas de experiência interior, mas aprende a trabalhar com elas. A pessoa criativa não precisa experimentar a vida através do filtro de uma disciplina particular, mas o faz meio da integridade de seu próprio eu e confia em suara autoridade interna.

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