Eu Vou Morrer

Dentre alguns dos benefícios que estou ganhando de presente do Universo aqui na França, tenho dois que são muito preciosos para mim.

Lembre-se que não sou uma pessoa “normal” e o que é precioso para mim pode causar estranheza para você.

O primeiro benefício maravilhoso é o café da manhã.

Eu não sou uma pessoa tão organiza assim e preparar café da manhã era algo que acabava sendo minha última prioridade.

Eu consegui me organizar no Brasil graças a sucos verdes prontos que comprei em loja de produtos naturais e que eram perfeitos para mim.

Eu simplesmente precisava usar o liquidificador e lavar.

Entretanto o “e lavar” escrito acima acabava ficando para depois e às vezes eu ficava sem liquidificador.

Tentei outras coisas como frutas, pães e sempre fui me “virando”.

A melhor dica de todas para esse processo para uma manhã mais tranquila é garantir que antes de dormir tudo esteja pronto para o café da manhã seguinte.

Geralmente eu conseguia, mas chegando próximo ao final de semana, sempre algo acabava.

Aí lá estava eu parando em um posto de conveniência no caminho do trabalho para comer apressado um pão de queijo com um café e levar uma água ou suco para ir tomando dentro do carro.

Aqui em Tours estou morando em uma Appart Hotel.

Assim sendo, eles servem café da manhã.

Confesso que esse é sem dúvida um grande benefício pra mim.

Não existe preocupação nenhuma em relação às preparações da noite anterior.

É chegar em casa e dormir.

Você não imagina minha felicidade em escrever isso.

Se existe tanta felicidade assim ao escrever, imagina minha felicidade quando vou dormir sem tal preocupação.

Agora imagine minha felicidade em acordar e o café estar pronto.

Benefício 1: Café da manha pronto e me esperando.

Outro benefício talvez você não ache tão esquisito: Trânsito.

Para quem estava morando em Santo André e trabalhando na Vila Leopoldina qualquer coisa seria melhor (kkk).

Desculpe o exagero, mas sair do ABC Paulista e cruzar São Paulo pelas manhãs e noites não é algo para amadores.

Desculpe o exagero novamente.

A dica para quem está passando por processos de desenvolvimento espiritual e paciência dentro do carro são os audio-books e palestras vastamente disponíveis na internet, Spotify, Itunes, YouTube.

Confesso que meu “relacionamento” com o Osho é mais próximo devido às palestrar dele que existem no Itunes.

No momento, estou curtindo esse outro benefício: 15 minutos para chegar ao trabalho.

E, você que começou a ler esse artigo devido ao título deve estar se perguntando:

Porque o Brites escolheu o título “Eu Vou Morrer”?

Esse é o título, pois essa semana marcou um mês que estou aqui.

As novidades próximas já acabaram e a rotina automática vai chegando.

Junto com a rotina, uma certa preguiça vem à tona.

Existe um padrão de frases que vão ficando mais frequentes:

Já fui na academia 3 vezes essa semana, já tá bom.

Ou:

Ontem eu já li um pouco do livro, vou assistir Sense8 no Netflix essa noite.

Na última sexta-feira algo me chamou a atenção:

Cheguei em casa, me troquei e a voz chegou antes de eu sair para academia.

Minha resposta foi:

Melhor eu ir.

Se eu estivesse no Brasil esse tempo eu estaria no trânsito.

Então, vou à academia.

carros - transito - congestionamento

Troquei de roupa e saí.

Ao chegar em casa eu lembrei que existia a inauguração de um show de luzes na catedral que fica a 20 minutos aqui de casa.

Como estava em cima da hora, eu teria 15 minutos para chegar até lá.

A voz veio de novo:

A inauguração é essa semana, vai ficar o mês de julho todo, descansa e vai outro dia.

Novamente pensei:

Melhor eu aproveitar.

E saí com os passos apertados.

No caminho até  a catedral, fiquei pensando o que estava por traz desse meu padrão de querer fazer um bilhão de coisas por dia.

No Brasil eu fazia isso e continuo a fazendo por aqui.

Meus amigos, irmãos de jornada do Namastê, sempre comentam tal padrão compulsivo para agir.

E como a pergunta principal da espiritualidade é:

“Porque isso acontece?

Ou:

“Porque estou fazendo isso?”

Essa é “a grande bússola” que o Sergio Kyoshi nos entrega.

Então, eu comecei a olhar para essa pergunta novamente.

As respostas principais e mais simples vieram à mente.

Lembrei do fato de não ter trânsito como razão da minha compulsividade atual.

O fato de não me preocupar com as compras do supermercado.

Outras questões mais profundas e escuras também vieram à tona.

Talvez eu não queira encarar o fato de estar sozinho aqui.

Talvez exista uma dor ou algo escuro que estou evitando.

Também pensei nisso, mas não fiquei convencido.

Tenho dores, sinto solidão sim…

Me sinto sozinho, mas quando estou “na bad” (como você já viu no meu texto anterior, ou pode ler Aqui), eu olho para o que acontece e busco compreensão.

E a resposta para a pergunta “porque?” sempre traz compreensão.

No momento, enquanto andava, eu tinha certeza que existia uma ficha maior e comecei a respirar conscientemente e a perceber meu caminhar.

pés

E o resultado foi: “FICHASKAEN!”

A sensação que existe é que vou embora em 6 meses.

BANG! É ISSO!!!!

Ber Hellinger conta uma metáfora de um viajante que dizia sempre ser perseguido.

Alguém que ficava a uma certa distância, entretanto, todas as noites ele procurava um lugar calmo antes de dormir e convidava esse alguém que o perseguia para entrar e se aproximar.

Todas as noites esse viajante permitia que quem o perseguia se aproximasse para uma conversa.

Talvez o perseguidor o levaria.

Talvez o perseguidor iria embora.

A grande questão era que todas as noites o viajante convidava seu perseguidor, a morte para se aproximar.

Assim ele lembraria na manhã seguinte de se levantar e continuar sua jornada.

Reynaldo Gianecchine enquanto passava pelo tratamento de Linfoma disse:

Todos deveriam viver com a sensação de que vão morrer.

Eu vou morrer.

cemiterio - morte

Ou melhor, em 6 meses eu volto ao Brasil.

Estarei “morto” na França.

Não existirei aqui.

Vou morrer.

Posso morrer mesmo, antes de terminar esse texto.

Posso morrer 5 minutos depois de terminar esse artigo e você estaria o lendo de forma póstuma.

A morte é uma certeza.

E ai?

O que vai acontecer depois que eu morrer?

O que fica?

Como serei lembrado?

Como serei lembrado é outra pergunta que moveu meus processos de transformação e de um pouquinho mais de consciência.

Também aprendi essa pergunta no Namastê.

“Como serei lembrado se eu morrer amanhã” traz uma forma mais harmônica para como me relaciono com todos e com os desafios da minha vida.

Entretanto, eu acho que agora entendi mais profundamente o que Bert Hellinger quer dizer.

De fato, eu não tenho controle nenhum sobre como serei lembrado.

O que tenho controle é sobre o que vou fazer da minha vida enquanto a morte ainda não me levou.

A vida, o maior presente que recebemos de nossos pais, é única.

É nosso bilhete de loteria.

É a mega sena da virada.

Minha virada para a vida que sempre sonhei.

Minha vida enquanto não há morte é o maior presente que recebi.

Abaixo a cabeça, me ajoelho e reverencio meus pais em sinal de gratidão pelo que recebi de graça.

O melhor presente.

O único presente que vale a pena.

Além da vida, recebi deles as lições para saber como seguir.

Como andar e o que fazer.

Tudo que preciso eu aprendi com eles.

Nunca vou conseguir retribuir.

O que posso fazer é honrar essa vida enquanto a morte não chega.

E quando ela chegar, eu tenho certeza que ela vai ter válido a pena.

Eu sigo a partir do que recebi dos meus pais.

E você?

O que vai fazer antes de morrer?

E se você soubesse que vai morrer daqui a 6 meses?

Teria valido a pena?

Meu desejo é:

“QUE SEJA BELO!”