A Felicidade É Um Estado Natural [Por Maria Amélia Vergueiro]

“Nascemos para dar certo. Deus nos fez únicos e Ele tem um propósito muito especial para cada um de nós e blá, blá, blá”.

Cresci ouvindo minha mãe falar isso.

Estranho, porque eu não estava dando certo.

Não via propósito algum em nada do que eu fazia durante o dia e pior, estava sentido uma dor surreal dentro de mim com tanta frustração e tristeza.

Por vezes me peguei falando com Deus e perguntando o que eu precisava fazer para sair daquilo.

No entanto, a dor era tanta que era impossível enxergar qualquer sinal que viesse Dele.

Sim, ele mandava sinais o tempo todo.

Então fui ao médico, vi-me triste e deprimida.

Tomei remédios e fui vivendo um dia de cada vez, aliás, vivendo não, me arrastando.

Quem me via sempre sorrindo, topando sair, namorando, etc, não falava que no fundo dos meus olhos morava uma dor tão grande, a dor por não dar certo, a dor do vazio existencial.

Hoje acredito que essa dor era justamente a angústia por não conhecer meu propósito.

Nesse tempo, segui buscando algumas respostas FORA de mim.

Fui fazer uma nova faculdade, terapia, fui conhecer constelação, saia aos finais de semana, viajava nas férias, enfim, levava uma vida conforme as regras sociais.

Até que um dia alguém me questionou o que era Espiritualidade.

E de dentro de mim saiu uma resposta automática: “é aquilo que é simples”.

E aí me surpreendi por que de simples a minha vida não tinha ABSOLUTAMENTE NADA.

Eu só a complicava cada dia mais e mais.

Vi o quanto vinha culpando Deus, vi o quanto gastava energia para dar certo, o quanto me esforçava para mostrar para meus pais que estava seguindo o protocolo: trabalhar, estudar, ter dinheiro, casar, ter filhos.

Mas plantando isso eu só colhi ansiedade, depressão, frustração e vazio.

Então, com uma coragem e uma vontade IMENSA e INSANA eu fui atrás da minha construção interna.

Fui saber quem eu era sem a necessidade de ser aceita e aprovada pelos meus pais (necessidade que eu criei, tá? Que isso fique bem claro.), quem eu era sob a ótica do meu coração.

E aí lembrei daquela frase do Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos”.

E aí, ligando os pontos, descomplicando, eu me abri.

Olhei para dentro do meu coração e fui entender o que o faz pulsar.

Fui aprendendo que o meu propósito não está ligado a ideia de sucesso, mas sim ao pulsar da minha alma.

E como disse Jesus Cristo: é servir.

É colocar o amor ao próximo, é o “amar ao próximo como a ti mesmo”, é quando coloco meus dons a serviço do mundo.

Tudo isso se deu ao longo de anos de transpiração, choro, dor, persistência e muita força de vontade.

Não estou nem perto da linha de chegada.

Quanto mais me dedico a isso mais vejo que tenho a caminhar e que agora sim, vale muito a pena.

A dor da frustração e do comodismo é infinitamente maior que o “esforço” (e agora posso trocar a palavra esforço por prazer) de saber que estou seguindo um caminho de servir, de colocar o amor em movimento, de encontrar mais sentido na vida e de começar a viver o propósito que falei no início do texto.

Gratidão a minha mãe por me falar isso infinitas vezes ao longo da vida.

Gratidão a Deus por ter me feito para dar certo.

E gratidão a todos que caminham ao meu lado nessa jornada.

E sim, eu e você nascemos para dar certo.

Não aceite nada menor que isso!!!

Se você se identificou e quiser comentar, manda bala, vou ficar feliz e realizada!

Gratidão,

Namastê.