A Gente Só Faz M@*#%

Continuando a viagem pela França, minha guia “coração gelado” que já havia me contado a verdade no texto Não Vou Mais À Igreja, nos levou a um outro castelo.

O Castelo de Chambourd.

Esse castelo é gigantesco.

Talvez seja o castelo com a maior estrutura construída da França.

A maior área construída é o Castelo de Versailles, mas esse castelo é gigantesco.

Minha guia “coração gelado” disse que esse castelo foi o castelo menos utilizado dentre todos os castelos franceses.

E você, assim como eu, deve ter ficado pensando:

Se é o castelo maior de todos, o mais bonito, porque nunca foi tão utilizado pela realeza?

A resposta é a linha que quero levar para esse texto, ou seja, a gente, desde de sempre, só faz m@*#%.

Um rei gostava do local e comentou que iria fazer um castelo naquela região.

Alguém comentou que era impossível e que não valeria a pena, pois nenhum rio existia próximo ao lugar.

Resultado: 20 anos depois aparece um castelo gigantesco no meio do nada com um rio artificial que ninguém tinha acesso.

E muito menos gostavam de passar uma noite sequer lá, por causa dos mosquitos.

E porque tal rei fez isso?

Apenas para mostrar que ele conseguiria.

Quanto maior o castelo, maior o ego.

castelo frança

Quanto maior o ego, maior a m@*#% que a gente faz.

Dentro do castelo, existe um quadro gigantesco sobre um dia que o rei fez m@*#%.

Ou melhor mais um dia que o rei fez m@*#%.

Detalhe: o quadro não é do castelo, o quadro é de um evento que aconteceu em outro local e fizeram um quadro. Levaram esse quadro para esse castelo, pois não existe nenhum dado da história francesa relevante desse castelo para ser mostrado lá.

O quadro está relacionado a essa história abaixo:

O rei da França havia brigado com o rei da Espanha.

A Espanha era mais forte militarmente, pois havia conseguido muito dinheiro com as idas e vindas das Américas.

Assim sendo, o rei francês chamou o rei inglês para se unirem contra o rei espanhol.

Nesse momento eu fico imaginando a conversa entre os dois reis: francês e inglês.

E o quanto tal conversa é recente em nossas vidas:

No congresso, na prefeitura, no meu bairro, na minha casa, na minha família, entre amigos.

Ou seja: como a fofoca é frequente.

Meu amigo Phillipe Lacerda disse uma vez:

Eu sou a história viva de todos meus antepassados.

Eu vou mudar um pouco essa frase tão sábia:

Eu tenho o mesmo comportamento de fazer fofoca, assim como todos meus antepassados.

Segue o diálogo do rei.

Ou melhor, segue suposto diálogo entre os reis.

Rei da França:

Olá, nobre colega, rei da Inglaterra. Você não sabe o que está acontecendo. O rei da Espanha disse que vai tomar a França, e como consequência a Inglaterra, nos próximos meses. Ele conseguiu muito dinheiro nas Américas e agora precisamos fazer algo.

Obs.: o rei da França tinha “briguinhas” com o rei da Espanha.

Rei da Inglaterra:

Caro rei da França, tem certeza de que isso é verdade? Às vezes não é bem assim. O rei da Espanha não é tão mal assim. Se ele já tem as Américas, porque ele iria querer a França e a Inglaterra e entrar em guerra conosco?

Rei da França:

Eu ouvi falar que ele acha que nós não somos nobres suficientes e que nossas rainhas merecem algo melhor.

Rei da Inglaterra:

Que absurdo caro amigo. O que podemos fazer?

Rei da França:

Já sei. (Resposta rápida né?) Vamos marcar um evento. Um evento grandioso para demonstrar toda nossa força e bom gosto. Iremos levar nossos maiores tesouros, artes, bebidas. Será a maior festa de toda Europa e será a festa da união entre Inglaterra e França.

Rei da França:

Que excelente ideia nobre amigo. Proponho uma pequena luta livre/ greco-romana entre nós dois. Apenas para demonstrarmos que nós também poderemos lutar.

Assim sendo, o evento foi marcado.

Todos vão e a luta começa.

A brincadeira de mão começa e como minha mãe já dizia: brincadeira de mão não dá certo.

A brincadeira de luta livre/ greco-romana pegou fogo.

Uma pena os reis não terem ouvido minha mamãe.

O clima fica tenso e o rei da França joga o rei da Inglaterra des costas no chão.

luta - briga

Ou seja, fez m@*#%.

O rei da Inglaterra pega suas coisas, coloca a bola debaixo do braço, ordena que a festa acabe e avisa para o rei da Espanha que eles iriam se unir contra a França.

Nesse momento eu lembrei da primeira vez que eu fui jogar futebol na empresa que fiz estágio e “roubei” a bola do diretor em um movimento raro de habilidade do meu estilo desengonçado de jogar no momento exato que ele iria chutar ao gol.

Após a roubada de bola, houve um silêncio no campo.

Um amigo me puxou de canto e disse. “Não faz isso, não faz m@*#%”.

A questão era, caso o chefe perdesse, o “bicho pegava”.

Meu ego de achar que não tinha ego ficou revoltado e nunca mais voltei lá.

Anos depois entendi.

Essa é a situação do deixar perder para ganhar.

Será que começou na França uma questão de que a necessidade de mostrar que você pode vencer e esquecer de todo o resto?

Ou então, será que começou na França uma questão de que a necessidade de provar que você não pode perder e esquecer de todo resto?

Deixar perder, deixar ganhar?

Você se vê nessa situação?

Você já deixou perder para ganhar?

É, a gente faz m@*#%.

A gente tem ego e faz isso toda hora.

Faz isso hoje, fez ontem, fez na França e vai saber lá onde isso começou.

Eu diria que é muito mais antigo que possamos imaginar.

A história se repete.

O ego vence e começamos guerras.

O ego vence e falamos mal dos outros para formar grupos.

O ego vence e formamos grupos para isolar os outros.

Quer outro exemplo?

O rei tinha amantes.

O protocolo para o rei conquistar uma amante era enviar uma joia bonita.

joia - mulher

Adivinha o protocolo da amante?

Quer saber?

A resposta está dentro de você.

O que você faz quando te oferecem um preço por algo que você quer vender ou um novo salário para você começar um novo emprego?

Você, assim como eu, fala que vale mais.

A gente rejeita a proposta e pede mais.

No caso das amantes elas retornavam o presente.

O rei recebia a joia de volta e tinha que enviar uma mais cara.

Quanto maior o valor da joia, maior era o valor da amante.

Quanto maior o valor da amante, mais ela era respeitada por toda a côrte e tinha sua posição hierárquica no reinado de acordo com o valor da joia.

Inteligência, estratégia e informações sobre o que o rei queria fazer eram compartilhadas, compradas.

A fofoca rolava solta.

Em último caso, se o rei cansasse da negociação, ele mandava cortar a cabeça da pretendente.

Em nosso caso e, como já aconteceu comigo, uma proposta de emprego foi finalizada.

Essa história das joias é mais uma história que faz parte de todo nosso sistema familiar.

Mais uma história que nasceu sabe se lá quando, que é visceralmente movimentada por nossos medos.

Castelo, carro, joia, bolsa, sapato, casa no campo ou na praia, smartphone lançado no último minuto, escutas, denúncias, intrigas, fofoca, manipulação.

Todas fazem parte.

Eu não sei até quando tudo isso vai.

O que sei é que graças a todos essas histórias hoje temos um pouco mais de consciência e olhar para perceber o quando somos movimentados pelo ego.

Acho que toda semana repito uma frase recorrente da minha vida.

“Fiz m@*#%“, julguei, fiz fofoca, afastei pessoas e me afastei de mim mesmo.

O que confio é que a m@*#% vire adubo para uma vida de mais amor e unicidade.

Um lindo adubo para falarmos mais “nós” e menos “eles”.

“Que venha a todos nós o vosso reino (francês, inglês, espanhol = dos céus)“

#fichaskaem