Moral Flex [Por Adriana Fazzi]

Trago mais um texto da minha amiga Adriana Fazzi.

Moral flex – Adriana Fazzi

Moral: conjunto de valores como a honestidade, a bondade, a virtude, etc., considerados universalmente como norteadores das relações sociais e da conduta dos homens. (Houaiss, 2017).

Com tudo que temos visto no país nos últimos tempos, infelizmente fatos ilícitos, vergonhosos e estarrecedores, comecei a refletir sobre a moral.

Iniciei este texto colocando uma acepção do dicionário Houaiss.

Parece-me que moral ou imoral, o conceito, varia de acordo com a conveniência de cada pessoa.

Assim: alguém vê outro alguém estacionando na vaga preferencial no Shopping e fica indignado.

Esbraveja, conta para todo mundo, até reclama no Shopping.

Mas, com pressa, este mesmo alguém indignado estaciona ”só um minutinho” na vaga de idoso.

Afinal, ele vai rapidinho comprar dois pãezinhos na padaria.

A isto chamo moral flex.

Quando o outro faz é errado e eu fico indignado, mas quando eu faço, tenho todas as justificativas plausíveis e que devem ser aceitas.

Na boa.

A pessoa paga para outra, ou ela mesma faz, aquela mexidinha para pegar sinal de canais que não fazem parte do pacote de TV a cabo que ela assina, e pelos quais, obviamente, não paga.

Argumenta que é “muito caro”, que “os caras abusam”.

Veja, alguém tem que pagar a conta, a operadora de TV a cabo não vai perder dinheiro.

Como ela consegue descobrir a “TV a gato”, e certamente tem estudo estatístico e histórico da porcentagem de assinantes e não são assinantes que têm acesso a canais pelos quais não pagam, na composição do preço do serviço deve haver um tanto a mais para cobrir estas perdas.

Assim, os assinantes que pagam direitinho arcam com a conta.

Há os que sonegam impostos “porque o Governo cobra demais e oferece de menos”.

O que é verdade, mas não nos dá o direito de faltar com nossas obrigações.

O caminho deve ser outro.

E aí, o sujeito veste camiseta amarela e vai para a Paulista protestar contra a corrupção.

Esse tipo de pensamento, e de conduta, está tão enraizado em todos nós que os atos são cometidos sem que percebamos que é algo errado, ilícito.

Crime é roubar milhões, dar “um jeitinho” no IR não é.

Um famoso delator declarou recentemente que não sabia que o que ele praticava era crime…

Concluo que nossa moral é frágil.

Por que será?

Como chegamos a este ponto?

Todo o mundo quer se dar bem, quer prosperar, mas é preciso ter limites.

É preciso ter a consciência de que para conquistar muito do que desejamos, precisamos trabalhar, fazer sacrifícios.

Os atalhos, o jeitinho, não é o caminho.

A ideia do ganho fácil, de ser esperto, não deve prosperar.

A vida deve ser construída passo a passo, com estudo, com trabalho, com honestidade.

É preciso também pensar no próximo, tomar consciência de que nossos atos nunca atingem somente a nós mesmos, atinge os demais também (reflita sobre o caso da “TV a gato”).

Precisamos estar atentos. Relembro de outro texto meu sobre a auto-observação, além de estarmos atentos a nossos pensamentos e nossos sentimentos, precisamos também estar atentos aos nossos atos.

Atenciosamente,

Adriana Fazzi Caldas

Tradutora Inglês-Português/ Revisora Português

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