O Brasil Por Um Brasileiro

Andei assistindo no Facebook a alguns vídeos de pessoas que moram fora do Brasil.

Pessoas que, assim como eu, dizem aquilo que faz sentido para elas.

Os vídeos são focados em comparações.

Seus criadores passam a mensagem de quanto o Brasil poderia ser melhor, enquanto a vida no exterior parece ser praticamente um paraíso.

Antes, eu gostaria de compartilhar algo que realmente fez diferença em minha vida.

Quanto mais eu me comparo, mais triste e sem energia minha vida fica.

Buscando não comparar o Brasil a nenhum outro país, eu realmente acho que passamos por grande evolução.

Muitas mudanças estão acontecendo e muitas ainda estão por vir.

O que vou compartilhar aqui é como sempre faço, e como sempre procuro fazer, me manter livre de julgamentos sobre minha experiência nesse retorno de duas semanas fora do Brasil.

Parte 1: Retornando ao Brasil

Tive mais um episódio emocionante para embarcar em Paris.

O primeiro episódio emocionante aconteceu nesse vídeo que fiquei quase 10 horas dentro do aeroporto de Berlim.

Desta vez, como eu já estava um pouco traumatizado pela experiência, pedi para a empresa que trabalho fazer reserva no hotel do Terminal 1 do Aeroporto Charles de Gaulle.

Cheguei uma noite antes no Terminal 1.

Fiquei em um Hotel dentro do Terminal para que assim eu não tivesse muitos problemas para fazer o check-in às 7 da manhã no Terminal 2.

Saí do Hotel às 6h50 visto que era necessário apenas pegar um trem, um shuttle entre o Terminal 1 e o 2.

Para minha surpresa, não foi tão simples assim, o shuttle estava quebrado.

Havia apenas uma pessoa informando para irmos para o terminal de ônibus.

Chegando lá, avistei 200 pessoas esperando um ônibus do aeroporto para o terminal 2 e o 3.

Um ônibus chegou em 15 minutos e eu nem cheguei perto da porta para embarcar.

Percebendo o caos, saí buscando informações e não havia ninguém para explicar como chegar ao Terminal 2.

Encontrei um guichê de turismo e uma moça me explicou que o melhor seria usar táxi e onde eu poderia pega-lo.

Fui ao local e formei um grupo na calçada para fazermos uma “vaquinha” para pegar um táxi em conjunto.

O resultado foi que chegamos ao Terminal 2 às 8h20, e lá estava eu na lista de espera novamente.

O voo havia lotado.

A saída seria às 10h10.

Fui encaminhado até o portão de embarque e às 10h40 para minha felicidade, e infelicidade das pessoas que não conseguiram chegar, eu embarquei.

Apenas enfatizo que esta história aconteceu em Paris e não em Guarulhos.

E como eu disse a uma das passageiras do táxi compartilhado que estava abismada dizendo que nunca tinha visto nada assim na vida:

Sou Brasileiro, estou acostumado com estas situações.

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Parte 2. Estadia no Brasil

Como estou sem carro usei a 99taxis, trem e ônibus.

O que encontrei foram muitos motoristas educados.

Muitos pais de família que não conseguem encontrar emprego.

Como a malha do metrô não é tão extensa assim em SP, e o horário dos ônibus não é tão confiável, empresas como a 99taxis e a Uber estão causando uma revolução nesse modelo de transporte e possibilitando pessoas que estão sem carro, ou que não têm carro, a se locomoverem de forma mais pontual para seus compromissos.

Se o Brasil tivesse transporte público de alto padrão em 2017, a grande maioria dos desempregados que hoje trabalham por essas empresas, estaria sem ocupação.

Além de exemplos de educação dentro do táxi eu vi pessoas na linha amarela do metrô se posicionando ao lado das portas da plataforma para que quem saísse dele tivesse corredor livre.

Também presenciei na Barra Funda uma gigantesca fila de pessoas esperando para embarcar no ônibus por ordem de chegada.

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Parte 3. Retornando à Paris

Check-in tranquilo e dentro do esperado.

Ao desembarcar em Paris e passar pela alfândega de camiseta, fui chamado para ter minhas malas inspecionadas.

Uma garrafa de cachaça que eu havia trazido foi aberta e fizeram uma análise para garantir que a cachaça não era nenhum tipo de droga em forma líquida.

No momento que eu fui liberado e ia perguntar ao guarda francês por que ele havia me chamado dentre todos os passageiros para tal vistoria, ele me perguntou sobre minha tatuagem.

Para chegar à estação de trem e ir ao meu destino final, tivemos que dar a volta pelo aeroporto, pois o caminho mais curto havia sido interditado.

Havia uma mala deixada sem dono no caminho.

Exército presente e outras centenas de policiais.

E qual seria a conclusão desse texto?

O que quero dizer?

Talvez eu esteja com saudade do Brasil, ou melhor, talvez eu não tenha conseguido matar a saudade do Brasil.

Não encontrei todas as pessoas que eu queria, e duas semanas passaram rápido demais.

Quem sabe o que eu estou querendo dizer é que não existe o melhor e muito menos o pior.

Estamos passando pela vida, pelas estações da Terra.

Um dia em algum lugar é primavera e no outro é outono.

Se o Brasil tivesse um sistema de transporte público gigantesco e eficiente, assim como um taxista me disse, talvez milhares de pais de família não conseguissem levar dignidade para suas casas.

Cada país, cada estado e cada ser humano passa por uma lição.

Quando conseguirmos evitar os julgamentos e nos conectarmos com o que o “problema” está a serviço, conseguiremos caminhar.

Deixe seu comentário aqui e diga o que você entende que a crise brasileira está a serviço neste momento.