O Dia Que Fui Excluído [Uma Carta de Desculpas]

Abro o artigo dessa semana com algumas histórias…

Confesso que sabia que meu último artigo seria polêmico, mas verbalizações agressivas em meu inbox do Facebook e no meu e-mail me impactaram mais do que eu imaginava.

Uma pessoa que eu considero muito, que o vejo na verdade como um grande amigo, me excluiu do Facebook e fiquei mal.

Bem arrependido.

A ideia do texto era trazer compreensão para nossas sombras e julgamentos.

E então um outro grande amigo comentou que entendia que o que eu disse veio do meu coração. “Porém estava causando dor nas pessoas.”

Sou responsável pelo que escrevi, mas isso não significa que não doeu em mim também.

Foi pesado e assumo minha responsabilidade.

Como disse, me arrependi.

Perdi o sono.

Me questionei muito.

Fiquei mal, respirei fundo, pensei muito e começo essa semana com essas histórias de amor:

História 1: O perdão

Essa história também está no meu livro Ser Árvore.

Um amigo meu se tornara cego, após trinta e poucos anos, em decorrência de um assalto.

Tal fatalidade de proporções épicas e estatísticas improváveis fez com ele perdesse 100% da visão.

Foi isso que aconteceu.

Em um assalto meu amigo recebeu um tiro e ficou cego.

Alguns dias depois o delegado que estava acompanhando seu caso o visitou no hospital.

A policial havia encontrado o ladrão que havia atirado e tornado meu amigo cego.

A proposta do delegado era trancar o agressor em uma sala algemado.

Meu amigo, agora cego, poderia agredir da maneira que quisesse aquele que havia lhe retirado o direito de enxergar.

Meu amigo disse que não faria.

Meu amigo disse que uma nova agressão não traria sua visão de volta.

O bandido iria pagar legalmente pelo ocorrido, mas meu amigo não queria se disponibilizar a tal ação.

História 2: Cissa Guimarães

Cissa perdeu seu filho em um atropelamento em um túnel interditado.

O rapaz estava andando de skate quando um caminhão surgiu do nada.

O motorista foi encontrado e a reação da Cissa foi: eu o perdoo.

Afinal amar e respeitar alguém que só faz o bem, é simples.

Perdoar um agressor é único.

Parabéns Cissa!

História 3: Caso Ives Ota

O filho foi sequestrado por um segurança e assassinado.

Seus pais encontram os assassinos na cadeia e a reação é: eu te perdoo.

A resposta ao jornalista que tentava encontrar o motivo para o perdão aos assassinos cruéis de seu filho foi:

Fizemos isso por nós. O ódio estava acabando com nossas vidas.

Hoje existe o Instituto Ives Ota. Movimento paz e justiça.

Caso alguém queira fazer uma doação pode acessar aqui: www.ivesota.org.br

A partir do ódio, essas 3 histórias trouxeram o perdão.

No caso Ives Ota um instituto que assiste a milhares de jovens na Vila Carrão.

Um de seus lemas é:

O problema do vizinho é meu também.

Isso também me representa.

A casa Ives Ota existe, pois, a tragédia da morte de um filho e o perdão aos agressores criaram uma casa de auxílio.

Houve um novo movimento após aceitação da tragédia.

Aceitação sem aprovação.

Apenas aceitação.

Infelizmente foi assim.

Algo horrível aconteceu que teve um resultado positivo a longo prazo.

A morte e a tragédia não são excluídas, elas ficam e ocupam um lugar de perdão, de honra.

O mundo hoje é um lugar melhor que não aprova nenhum tipo de descriminação por etnia.

Infelizmente, com muitas mortes foi assim.

Aprendemos dessa maneira monstruosa a respeitar um pouco mais as diferentes etnias e as mortes desde o final da Primeira Guerra até o final da Segunda Guerra não foram em vão.

Quem pode afirmar que o respeito que existe hoje seria possível sem todos acontecimentos horríveis?

No mesmo sentido, milhares de judeus foram assassinados.

(5 milhões em toda guerra, 1 milhão em solo alemão) milhares de negros, milhares de prostituas, milhares de homossexuais…

E visitei todos esses monumentos de honra a essas milhares de vítimas, durante minha visita à Berlin.

Muito respeito a essas mortes que não foram em vão.

Nunca disse que aprovo o que o nazismo fez, nunca disse que foi bom.

Disse que tudo está a serviço de algo que não entendo e que hoje, graças a minha visita, tento compreender ao invés de julgar, odiar, queimar, excluir.

Todos fazem parte da história da humanidade.

Todos.

Hoje tudo é como foi.

Se não tivesse sido assim.

Hoje seria diferente.

Por isso vejo um sentido maior em toda história da humanidade.

O judeu Viktor Frankl que viveu nos campos de concentração criou a logoterapia (logos = sentido).

A terapia que busca trazer sentido para a vida das pessoas como sendo a principal alavanca para uma vida feliz.

Viktor Frankl criou essas técnicas, as colocou a prova e teve uma vida feliz depois que a guerra acabou.

Ele conseguiu encontrar um sentido para sua vida enquanto vivia, ou melhor, sobrevivia em condições extremas.

Também recomendo tal estudo. Eu estudei muito o que Ele criou e digo que para mim faz mais sentido encontrar um sentido para tudo que acontece comigo.

Ele diz:

Quando eu encontro um porque, eu encontro maneiras para superar qualquer como.

Apesar de buscar compartilhar um sentido, tive outro arrependimento forte. Mesmo por ter divulgado em meu site e meu perfil, eu não respeitei a liberdade de quem não queriam entrar em contato com esse assunto…

Aprendi muito e gratidão a essa sugestão que recebi.

Assim sendo, decidi que a continuação do texto e um vídeo que foram feitos no mesmo dia não serão publicados. Caso você queira os receber e buscar entender melhor, eu posso te enviar.

O texto e vídeo estão disponíveis, porém, não publicados.

Quem quiser entender melhor o que fiz com enfoque de que todos na terra merecem perdão, eu ficarei feliz em te enviar.

Basta me pedir por e-mail ou inbox no Facebook que eu te mando.

Assim, respeito a liberdade de todos.

Esse texto é realmente um pedido de desculpas e uma afirmação de que honro as mortes.

Respeito a dor de todos que perderam seus familiares.

E também respeito que as mortes não foram em vão.

Tudo é como foi.

Não sou judeu, não sou negro, não sou homossexual, não sou índio.

Ou melhor: sou judeu, sou negro, sou homossexual, sou heterossexual, sou católico, espirita, protestante, budista, índio, umbandista ….

Sou todos que existiram antes e existem.

Não existe o outro – Budha

Toda história da humanidade de outrora é carregada em todas células do meu corpo e em meu coração.

Meu livre arbítrio defini como escolho olhar para todos acontecimentos da terra.

Podemos escolher entre “Exclusão ou Inclusão”.

Inclusão não é aprovação e sim aceitação e buscar um sentido maior.

Corretamente Hitler é culpado e toda ação tem uma reação.

Confio que quem está no comando do Universo se encarrega do kharma de cada um.

Kharma vem do sânscrito e significa o resultado de nossas ações, de nossos pensamentos, de nossos julgamentos.

Toda ação tem uma reação e no meu caso estou pagando um preço alto pelo meu texto.

Sou responsável por tudo que escrevo e pela maneira que me direciono às pessoas.

A maneira que eu coloquei foi controversa.

Foi controversa e foi sim uma estratégia para chamar a atenção.

Inclusive tenho outro texto: “Preciso de Elogios” Um título que chama a atenção com um texto que convida os leitores a fazerem mais elogios no seu dia-a-dia.

Também te convido a ler.

O Artigo talvez errôneo da última semana foi um título pesado e um assunto polêmico.

Meu site teve 380 acessos em 3 dias.

Digo isso, pois também recebi “sugestões” para postar coisas positivas.

Gostaria de comentar que faz um ano que faço um texto por semana.

Toda semana com assuntos menos polêmicos.

5 posts semanais no Facebook e Instagram.

Todos estão à disposição no blog do site e em tais mídias.

De fato, esse não foi meu recorde de acessos.

O recorde foram 500 acessos em dois dias com o texto “Homem Não Presta” Um título que chama a atenção com um texto que convida os leitores aperceberem que todos “prestam”.

Talvez você queira ler também.

Convido você a ler meus textos, pois meu desejo com todos meus textos é:

Que haja paz! Que haja perdão! Que haja Luz! Que haja compreensão! Que o mundo e a humanidade possam caminhar para que possamos reconhecer que “somos todos um” sem exceções.

Agradeço a todos os apoios, todos aqueles que se expuseram para me “defender “ e também a elogiar minha coragem.

Coragem vem do grego.

Cor (coração) +  Agem (agir).

Ou seja, agir com o coração.

Meu texto foi um ato do meu coração.

Pode estar errado sim.

De fato, causou muitas dores e agressões.

Peço perdão, pois existe essa grande possibilidade de eu estar errado.

Entretanto, confio que quem está no comando do Universo e que opera através do tempo, irá me dizer.

Serei paciente em aprender e a ver outras possibilidades.

#sempre.

Por enquanto, também incluo em meu coração todos que me excluíram.

Vocês fizeram parte de uma compreensão e de aprendizados importantes na minha vida.

Gratidão e continuo a caminhar já que:

Tudo que vem é bem-vindo. Se for bom, fica. Se for ruim, pode ir.

Que seja Belo!