Para o Amor dar certo

As Constelações Familiares Originais Hellinger buscam trazer soluções sistêmicas para questões como: dificuldades de relacionamento em casa e no trabalho, problemas conjugais, emaranhados familiares, conflitos internos e externos, perda de peso, tomada de decisões, dificuldade financeira, êxito profissional, entre outros.

As Constelações também acontecem para empresas e podem ser conhecidas como Constelação Organizacional ou Consultoria Organizacional. Ela propicia mudanças direcionadas a atingir metas, corrigir a falta de sinergia na equipe, sucessão na liderança, compreensão de queda nas vendas, etc. Constelações trabalham na raiz das diferentes situações problema trazendo nova visão à solução.

O termo constelação familiar é anterior a Bert Hellinger e não caiu do céu. Ele tem sido usado desde a década de 1920 por Alfred Adler para designar efeitos psicológicos e comportamentais entre membros de uma família. A tradução errônea na qual, em alemão, significa configuração familiar foi internacionalmente consagrada como Constelação Familiar. Obviamente que as Constelações Familiares estão alicerçadas em conhecimentos prévios entre terapeutas que já não percebiam tanta eficácia em tratar seus pacientes sentados no divã. A partir de então, encontra-se o conceito de representantes em algumas escolas de psicodrama e terapia familiar. É importante mencionar que na estrutura familiar o terapeuta determina que o cliente assuma uma postura. Já na Constelação Familiar clássica de Hellinger, a configuração é feita a partir dos sentimentos dos clientes. Mesmo sabendo de sua evolução desde Bert Hellinger, a partir de seus estudos das ordens do amor e de sua inovação principal compartilhando o estudo das consciências, as Constelações clássicas podem levar a uma resposta de fácil compreensão que ajuda o cliente a encontrar uma forma mais tranquila e serena de lidar com suas questões.

Nas Constelações Familiares clássicas, bem como nas Constelações originais Hellinger, são percebidos os efeitos das ordens do amor. Entretanto, nas originais o representante não segue instruções ou papeis pré-determinados e tampouco existe intervenção direta, ao contrário, nas Constelações originais Hellinger, tanto o cliente quanto o constelador se entregam ao movimento interno, todos os presentes são tomados por uma força que pode ser sentida tanto mental e emocional como fisicamente.

Estar em contato com a filosofia das Constelações é uma honra, pois trata-se de uma nova possibilidade para olharmos para o que acaba nos levando a quedas, perdas, desconexão do que é essencial para nossa vida.

Costumo honrar Bert Hellinger a cada momento e inclusive em minhas tentativas de explicar as novas Constelações Familiares. Digo tentativa, pois é difícil explicar em palavras uma experiência, uma sensação. De qualquer maneira, é possível encontrar caminhos, caminhos estes, certamente, mais fáceis hoje do que quando Bert iniciava esse movimento.

Hoje, ao explicar o campo morfogênico, basta mostrar meu celular e dizer: somos corpos conectados a um sistema de informação na nuvem, e compreender as ordens do amor traz maior conexão com o essencial desse campo, o essencial que impacta nossa vida e, principalmente, nossos relacionamentos. Assim como a gravidade, existem forças invisíveis que nos fazem cair, e ao saber quais são essas forças, tornamo-nos mais conscientes do que devemos olhar e aprender durante esses momentos de quedas, e por isso, as constelações são a ciência dos relacionamentos, pois nossos maiores desafios estão ligados a como nos relacionamos enquanto temos a honra de estarmos vivos e assumindo nosso destino, a nossa parte em levar adiante o que recebemos de nossos pais.

Imagino 40 anos atrás quando Bert começou esse movimento e como, possivelmente, horas de explicações seguidas de olhares descrentes podem ter permeado os primeiros eventos dele. Além disso, assim como mencionado no livro Um lugar para os excluídos, os vários motivos para questionar a postura de Bert Hellinger. De qualquer maneira, assim como diz Mimansa: “não importa o que as pessoas diziam ou reclamavam sobre Bert Hellinger, algo se move em mim quando estou em contato com esse trabalho e nunca havia me sentido tão centrada em toda minha vida. ”

Assim como dito acima, as Constelações são a ciência dos relacionamentos que pode nos levar a uma postura mais harmoniosa e assim, tratarmos e nos relacionarmos de forma mais centrada e consciente com as inúmeras pessoas que fazem parte do nosso dia a dia e, sendo essa a pauta deste artigo, a pessoa que escolhemos para ser a nossa parceira ou companheira em uma jornada que pode perdurar toda uma vida.

Como o conhecimento das constelações pode “fazer o amor dar certo” ou encontrarmos um “amor à segunda vista”? Essas são menções de dois livros de Hellinger. Se cada título de cada livro dele já é material para horas de reflexões imagine o conteúdo deles. Assim como Dr. Rudiger Rogol diz no prefácio do livro da Sophie Hellinger – esposa de Bert:  A Própria Felicidade. Bert hesitou anos em começar a escrever suas obras, pois sabia que o trabalho ainda não estava pronto para ser publicado, suas conclusões ainda estavam em movimento, e anos mais tarde temos o privilégio de encontrar tais fundamentos na obra de Sophie.

De qualquer maneira, como é o direcionamento desse artigo, retomo a questão.

O que podemos fazer “para o amor dar certo?” Existe um amor? “Amor à segunda vista?”

O que vou compartilhar nas próximas páginas também é comentado sobre as constelações: trata-se de um caminho a ser escolhido para termos mais consciência sobre nossos relacionamentos.

Não vejo outro caminho para nossos relacionamentos, ou para compartilhar um caminho de mais paz e harmonia para nossa vida, do que as “ordens do amor”.

Tive a honra de ouvir da própria Mimansa que “Ordens do Amor” não é uma tradução tão exata assim da forma que Bert Hellinger colocou. Assim como o próprio nome das Constelações Familiares não são uma “boa” tradução, visto que Configuração Familiar se aproxima mais do termo em alemão familienaufsetllung. Mimansa disse que Constelações Familiares compreendidas em alemão dão a ideia de posicionamento, e Ordens do Amor seriam a ideia de o que coloca o amor em ordem. É um princípio filosófico, assim como disse a professora Isabela, em um de nossos webnários.

Assim sendo, compartilharei possibilidades para encontrarmos um lugar, o nosso lugar de força para que possamos colocar o amor em ordem. Uma ordem para que o amor possa fluir em nossa vida assim como o rio flui, a partir de sua fonte, em direção à imensidão do oceano, sem questionar o caminho. E assim, lembro-me de mais uma obra de Bert que gera horas de reflexões: “A fonte não precisa perguntar pelo caminho”.

Eu seria injusto se dissesse que essa obra é a mais importante em minha coleção. Seria injusto, pois toda e cada obra de Bert Hellinger chegou a mim em um momento de desafio e, da mesma forma que aconteceu com a Mimansa, me trouxe equilíbrio e paz. Assim como a leitura das obras de Sophie aquietaram meu coração e me trouxeram a motivação de que eu precisava para escolher esse tema para minha dissertação.

De qualquer forma, a obra “A fonte não precisa perguntar pelo caminho” é importante para minha vida, pois chegou a mim em um momento de muita dor. Essa não foi a primeira obra que li e tampouco o momento da leitura, que me foi transformadora, não foi a primeira vez que eu a lia. O momento da leitura, que foi decisivo, foi logo após o término de um relacionamento.

Eu estava em um relacionamento há dois anos e, devido a obrigações profissionais, eu fora transferido para França por oito meses. Minha namorada ficaria no Brasil aguardando meu retorno. Eu e ela vivíamos afastamentos breves e aproximações intensas. Ela sempre foi muito ciumenta. Eu sempre reclamava disto e pedia sua compreensão, pois eu sempre estava participando de cursos e formações em Constelação, treinamentos, e quando não estava ocupado eu queria descansar. Como resultado não dávamos um passo além, um passo decisivo em direção a morarmos juntos, ter filhos, objetivos em comum, etc. Durante esses oito meses, tive que retornar ao Brasil para providenciar o Visto para a longa permanência e fiquei com minha namorada durante as três semanas enquanto aguardava a documentação para retornar à França. Na ocasião, eu, por medo de “perder” minha namorada ou por minha intuição estar aguçada, percebi um afastamento, por assim dizer, de alma, da minha então namorada. Algo estava estranho, pois à medida que eu deixava cada vez mais claro minhas intenções e objetivos com ela, e conosco, menos energia eu sentia, menos força para os planos eu percebia. Tratava-se apenas de conversas vazias e breves do que poderia acontecer.

Chegando à França numa quinta-feira, fui insistente e enviei algumas mensagens de muito amor e, com a compreensão de Bert Hellinger, e agora entrando a fundo no que ficou para mim de suas obras e no livro “O essencial é que conta”:

“Muito amor é medo de perder. ”

Num domingo, três dias depois da minha chegada eu recebi uma mensagem via Whatsapp indicando o término do relacionamento com a justificativa que ela havia encontrado outra pessoa um dia antes. Minha raiva e nervosismo vieram à tona e muitos xingamentos foram digitados por nós dois. Mal consegui dormir naquela noite e, no auge da dor, enquanto me sentia abandonado e sem conhecer ninguém na França, eu resolvi passar um final de semana na Holanda. Comprei o bilhete de trem e fui a Amsterdam com a obra “A fonte não precisa perguntar pelo caminho” em mãos. Comecei a leitura.

Lágrimas tomaram minha face quando Bert Hellinger menciona que ciúmes é a ação de quem não confia e transfere a responsabilidade do término.

Naquele momento, consegui, claramente, perceber todos os movimentos da minha ex namorada. Todas as vezes que ela tinha ciúmes e brigávamos era porque ela não confiava. Automaticamente me tornei arrogante e percebi quão perigoso isso poderia ser quando Bert Hellinger menciona que toda vez que buscamos compreender o motivo do término somos arrogantes. Somos arrogantes, pois, inconscientemente, achamos que se conseguirmos entender o motivo do fim, podemos reverter. Arrogância na intenção de se colocar maior que a vida, maior que os movimentos que a vida realiza de inícios seguidos de fins que colocam nossa vida em movimento. A pessoa que estava ao meu lado no trem Paris-Amsterdã só não me consolou por tentar falar comigo em holandês e eu não responder nada.  Soluços e lágrimas, a meu ver, significavam o descongelamento desse e de muitos traumas em minha alma.

Ao me acalmar, minha mente mentirosa começou a pregar peça em meus pensamentos me causando mais sofrimento. Comecei a questionar o fato de não existirem culpados conforme Bert nos ensina. O que eu fizera de errado para merecer esse sofrimento? Nesse momento voltei ao padrão de vítima encontrando um consolo no sofrimento e lembrei de mais uma frase.

“Sofrer é mais fácil do que encontrar soluções.”

Se encontrar soluções, assim como Bert nos ensina, é o que nos coloca em movimento, e culpar e questionar a tudo e a todos é me prender a sofrimentos, o que eu posso aprender com isso? Qual solução posso levar para minha vida? Novamente recebi um presente enquanto lia sua obra.

Bert Hellinger comenta que tudo é equilibrado, especialmente em um relacionamento.

Como disse, durante os dois anos de relacionamento conturbado, eu deixara minha namorada sozinha por inúmeros fins de semana. Eu tinha conhecimento da dor que eu causava enquanto me ausentava, mas eu, de fato, escolhi acreditar que a dor não era minha e que se existia amor, ela apoiaria meu caminho. De qualquer forma, eu negligenciei a dor que causei, a solidão que causei e a lei de equilíbrio, que é a terceira ordem do amor, foi minha compreensão como lição sentida mental, emocional e fisicamente. Fins e mais fins de semana de solidão foram a mim retribuídos, e assim, com mais equilíbrio assumi minha responsabilidade em toda a situação. Neste sentido, busquei a compreensão e a sensação de gratidão, pois como eu poderia dizer que se os últimos dois anos não tivessem sido exatamente como foram eu teria a oportunidade de reconhecer de forma ainda mais profunda a força da segunda ordem do amor, a hierarquia. Ainda com gratidão no coração consegui concluir que: “sim”. O sim expressa o pleno direito da minha ex pertencer a minha história. Ela é extremamente importante, e sou grato por ela ser exatamente como é. Assim, em apenas alguns minutos de leitura eu já havia encontrado informações tão profundas que acalmaram meu coração e me colocaram em sentido do movimento do espírito conforme Bert compartilha. Um movimento do espírito que me levou a buscar ainda mais colocar o que aprendi até aquele momento com as Constelações Familiares, a serviço da vida. Encontrei em um vagão de trem um novo sentido para minha vida, uma nova maneira de caminhar me colocando a serviço.

Isso não foi tudo que aprendi com essa obra e naquele fim de semana, ao retomar os estudos sobre términos honrosos de relacionamentos, decidi que minha primeira ação ao encontrar meu laptop seria escrever um e-mail com o término honroso. Foi um e-mail breve no qual pontuei, assim como acima, tudo aquilo que eu havia aprendido e meus sentimentos em tê-la deixado sozinha tantas vezes. Antes de terminar o e-mail, segui mais um direcionamento contido na obra e demonstrei todo meu amor, enquanto desejava que ela fosse feliz e que seguisse a vida dela.

A resposta para esse e-mail chegou em menos de 12 horas, e os comentários dela me deram ainda mais certeza de que cada palavra de Bert é um presente. Cada lição de Bert é um presente, pois nos aproxima cada vez mais da verdade de como encontramos mais liberdade ao seguirmos seus ensinamentos em todos os relacionamentos, independente se as pessoas estão perto ou longe. A resposta que dela recebi foi um breve:

“Sim, também quero que você seja feliz. Meu problema foi que eu nunca confiei. ”

A compreensão de que suas palavras trouxeram exatamente o que Bert explica como sendo a razão do ciúme: falta de confiança. As palavras dela aquietaram ainda mais meu coração. Minha namorada não confiava em nosso relacionamento e assim, tinha muito ciúme. Como é verdadeiro tudo que Bert nos ensina.

 

Resolvi, então, me aprofundar ainda mais nos estudos dessa obra, pois eu acreditava muito que eu deveria estar em um relacionamento amoroso de sucesso.

Em minhas inquietações e sempre buscando compreender mais sobre a vida, por ser um questionador nato, eu queria encontrar o motivo principal para eu querer estar com alguém. Por que é tão importante para mim ter alguém? Eu sei que estou bem em minhas atividades me colocando a serviço da vida, mas algo fica me lembrando de que quero ter alguém.

Esta minha questão foi então, como sempre, respondida com grande sabedoria por Bert Hellinger.

“Sucesso é o que dá continuidade à vida. ”

Esta é a resposta. Eu quero ter sucesso. Eu quero dar continuidade a minha vida com um filho. Bert diz também que dar continuidade e olhar para um terceiro garante o sucesso em um relacionamento. Esse terceiro sendo um filho ou empreendimento. Tais explicações novamente aquietaram meus questionamentos e consegui concluir que eu de fato, gostaria de estar em um relacionamento ou para ter um filho ou para criar algo que esteja a serviço da vida. Bert também nos ensina que uma empresa tem sucesso quando tem lucro e quando presta um serviço à sociedade. Assim sendo, talvez eu encontre a satisfação de estar vivo ao ter um filho ou, se não me for permitido, criando algo com minha esposa que traga lucro à minha família e a outras famílias e que esteja a serviço de algo maior.

De fato, essas foram as respostas que me fizeram direcionar minha vida a encontrar um relacionamento de sucesso. Ao continuar meus estudos encontrei as obras: Amor à segunda vista e Para que o amor dê certo.

Segundo Bert Hellinger, para o amor dar certo, ou melhor,

“…a base para que o amor entre um homem e uma mulher dê certo, é o amor da criança pelos pais e dos pais pela criança. Quando existem dificuldades nos relacionamentos a dois, isto, frequentemente, está ligado ao fato de que aquilo que antecede o amor entre o casal ainda precisa de uma solução. “

Algo profundo que Bert Hellinger comenta nesse sentido é sobre a Paixão. Seus sábios comentários exemplificam que a paixão é a sensação baseada em uma exigência infantil de que o outro não irá nos machucar. Como mencionado acima, devido ao fato de carregarmos questões com nossos pais, projetamos com muito peso em nossos relacionamentos amorosos, a necessidade, em forma de exigência, de que o outro não nos machuque, de que o outro atenda tudo de que precisamos, ou até mesmo, julgamos que nos faltou.

Esse movimento da paixão ligada a exigências de questões que julgamos não ter conseguido no amor de nossos pais e, por assim dizer, encontramos a pessoa, cegos pela paixão, da maneira como gostaríamos que ela fosse e não como ela é.

Após a sensação e percepção de que o outro nos machuca e de que não é “perfeito”, somos convidados pela vida a reconhecer que nossos pais também não têm nenhuma obrigação de serem super-heróis. Nossos pais, os grandes seres humanos, nos deram a vida e nos convidam a crescer além de nossas exigências e traumas para nossa evolução. Ao reconhecermos a grandeza de nossos pais sem julgamentos e voltarmos nossos olhos, nossa alma, para nossa vida e para o nosso relacionamento, o que faz o amor dar certo é reconhecer o outro como ele é e não como gostaríamos que fosse. Para que o amor dê certo, fazemos um movimento além das nossas exigências e nos colocamos na frente do parceiro com nossas dores reconhecendo que ele também tem dores, aspectos, exigências e questões, assim como nós. Com coragem, ao encontrar a realidade como ela é, podemos ser tomados por uma motivação que nos coloca em sentido da vida, de filhos e de projetos empreendedores, assim como dito acima. Esse é o encontro do amor à segunda vista. Um encontro de aceitar a pessoa como ela é, aceitar a maneira que ela foi educada e suas histórias como foram e, ao estabelecer um projeto em comum, o casal ganha força.

Sonhos e projetos são chaves para os relacionamentos, conforme Bert. Chaves que abrem as portas para transcendência e transformação do local onde se está hoje para um local de força que faz o amor dar certo. Bert Hellinger completa com outras três chaves, e as comento a seguir.

Uma das chaves para o amor dar certo é qualidade de tempo. À medida que somos tomados por nossas responsabilidades, como: filhos, deveres, pode ocorrer que o casal não encontre mais tempo para si. Essa chave ganha ainda mais força, pois está ligada à segunda ordem do amor, a hierarquia. A hierarquia dita a precedência como sendo maior e mais importante do que o que vem depois. Ao olhar para um casal devemos reconhecer que sua precedência está ligada a quando se conheceram e se houve conexão que os convidou a olhar para formas de terem sucesso juntos. O casal, ao se apaixonar, estabelece que entre eles o que veio antes, e é mais importante, é o casal, depois os filhos, os projetos, etc. Sabendo que a qualidade de tempo é uma das chaves, o casal deve ter em mente que deve haver momentos em que estar juntos e dedicados um ao outro é agradável. A busca, nem que seja uma vez por mês, de momentos agradáveis entre o casal é uma das chaves.

Outra chave que, assim como a qualidade de tempo, também está ligada às ordens do amor, ou melhor à primeira ordem do amor, é o “amor”. Bert Hellinger diz que amar é aceitar a pessoa exatamente como ela é sem nenhuma exigência ou expectativa de que ela mude. Nesse sentido, eu dou o direito do pertencimento ao parceiro, sendo essa a primeira ordem do amor, a primeira lei que coloca o amor em ordem. Permitir que ele saiba que é aceito exatamente e que tem um lugar sendo exatamente como ele é, traz força ao casal. Eu gosto de pensar que a outra maneira que Bert busca compartilhar sua visão do que é o amor está ligada à terceira ordem: o equilíbrio de troca, o equilíbrio entre o dar e receber. Penso assim visto que amar também é dito como sendo o desejo genuíno de que a pessoa seja feliz, independente se a pessoa esteja perto ou longe. A proximidade também nos convida a desejar a liberdade. E quando acredito no equilíbrio de troca, recebo aquilo que ofereço e, a meu ver, ao oferecer um desejo genuíno de felicidade e liberdade eu recebo o mesmo em troca e, com essa chave, o relacionamento pode dar certo.

Também relacionado ao equilíbrio de troca, temos mais uma chave: desejo sexual. Esse ato sagrado de pura entrega, de intimidade do casal, traz força quando é desejado por ambos. Nenhuma parte é tomadora ou doadora no ato sexual, os dois se completam em seus lugares, e o casal ganha força com o desejo. Bert Hellinger diz que não existe nada mais sagrado do que encontrar alguém com quem possamos realizar o ato sexual olhando nos olhos e, essa honra, também traz nova força ao casal.

Percebemos aqui que as ordens do amor são como árvores, pois seus galhos e raízes podem ser vistos e sentidos de forma muito ampla. Digo isso, pois ao comentar as chaves percebemos que podem ser ramificações, frutos de uma mesma semente: o amor.

Essa é, a meu ver, a grande mensagem de Bert Hellinger. Não importa qual área da vida olhemos a partir de nossos incômodos ou busca de soluções, todo sistema onde existam membros e consciências que interagem entre si pode encontrar suas soluções passando por esses ganhos das percepções Hellinguerianas que nos conduzem ao amor, um amor maduro e humilde.

Ao reconhecer a força desse amor com uma amplitude maior, Bert Hellinger nos convida a olharmos com concordância a tudo e a todos, pois assim iremos sempre nos movimentar ao sucesso da unicidade que nos coloca no fluxo da vida.