Como você pode saber, eu venho compartilhando minhas percepções com muito mais emoção e sentimento do que nunca sobre o que conhecia da filosofia das Constelações Familiares, do alemão Bert Hellinger, a partir dos movimentos e dos relacionamentos que meus pais tiveram esse ano com doenças.

Meu pai estava com problema no coração e colocou um marcapasso, enquanto minha mãe passa por radio e quimioterapia.

Essa semana eu gostaria de compartilhar uma das Ordens da Ajuda do Bert Hellinger.

Uma das ordens de ajuda é submeter-se às circunstâncias e apenas apoiar à medida que elas permitem.

Só essa frase do criador das constelações daria para eu escrever vários textos.

Bert Hellinger escreveu um livro sobre as ordens da ajuda e cada frase nos proporciona muitas reflexões.

Essa acima: “submeter-se às circunstâncias e apenas apoiar à medida que elas permitem”, já é possível pensarmos sobre minha mamãe e meu papai e como ajudá-los.

Nesse sentido, o que traz desordem a essa frase é querer ajudar enfraquecendo tanto a si como a quem pede ajuda.

Quando reconhecemos o verdadeiro e concordamos com ele, nos colocamos alinhados à força da própria vida, sem que seja necessário colocar nossas ideias ali.

Bert Hellinger traz essa frase acima que talvez você, assim como eu, acabou não entendendo ao ler pela primeira vez.

Confesso que eu li e reli essa frase algumas vezes e a maioria das vezes que marco constelações eu releio.

Porém, nesse momento da minha vida, e de forma mais profunda, consigo entendê-la e vou compartilhar porque.

Eu estava sendo muito discreto em relação ao que estava acontecendo com minha mamãe até que um dia compartilhei com uma amiga que me disse, assim que compartilhei o diagnóstico da minha mãe, com as melhores intenções:

Você sabia que o câncer é causado pela raiva?

Eu disse: Minha mamãe fumou por 60 anos, e ela continuou: Tem gente que fuma e não tem câncer, a questão com sua mãe é a raiva, talvez você queira conversar com ela sobre isso.

Como eu havia acabado de fazer uma formação em Barras de Access e aprendido uma técnica de harmonizar os relacionamentos e conversas, eu apenas disse.

Interessante ponto de vista.

Minha amiga continuo a explicar e confesso que desliguei do que ela falava.

Perceba que ao entrar em contato com as Constelações Familiares aprendermos a oferecer e a receber ajuda de forma mais eficiente, gastando menos energia.

Ao quebrar uma Ordem da Ajuda, a ajuda não tem nenhuma força.

A ajuda de minha amiga, mesmo que cheia de boas intenções, é um interessante ponto de vista, porém sem força, e espero que as explicações abaixo possam também servir para você quando você precisar de ajuda ou quando precisar ajudar alguém, pois, eu acredito, e muito, em buscarmos sempre manter a harmonia em nossos relacionamentos.

Sabe o que eu senti quando minha amiga disse que câncer era raiva, que minha mãe sente raiva?

Eu senti raiva.

Eu senti raiva de mim por não ter feito algo.

Ou seja, com essa frase da minha amiga eu saí do meu papel de filho, me coloquei maior e mais sábio que minha mãe e até mesmo que o câncer nos pulmões para o qual ela vem recebendo tratamento.

Por um minuto eu rejeitei as condições e circunstâncias que minha mamãe vem passando e pensei que eu poderia mudar o diagnóstico se eu a convencesse de abrir mão da raiva.

Eu me imaginei conversando com minha mãe, fazendo meditações, explicações e muito mais para salvá-la da raiva que ela sentia.

E, ao perceber o estado eufórico que meu corpo ficou e a respiração acelerada, eu parei.

Parei de querer saber mais do que minha mãe e voltei a encontrar meu lugar, pois:

1)      Sou filho, não tenho opiniões sobre o que meus pais fazem na vida deles. 

Eu apenas ouço e ofereço minha opinião quando solicitada.

Se minha mãe sente raiva ou não, isso é assunto dela.

Para ajudar minha mamãe comprei um presente: uma imagem de Nossa Senhora para decorar o quarto do hospital em que ela estava.

Decorar é uma palavra que vem do latim e significa de coração, a partir do coração. 

2)      Sou pequeno e não tenho nada a oferecer.  

Nunca tive câncer, não sei o que é ter câncer e tão pouco posso compartilhar um caminho para alguém sair do câncer.

Para ajudar minha mamãe eu perguntei:

Mamãe, a senhora quer comer algo diferente da comida que tem aqui no hospital? Posso buscar algo na rua para a senhora?

Minha mãe respondeu:

Biscoito de polvilho. Compra aquele mais fininho e redondo que tem aqui na porta do hospital. 

Esses dois pontos trazem ordem a minha ajuda, pois concordo com as forças da vida.

Se eu tivesse tentado ensinar algo a minha mãe ou oferecer alguma cura, eu ficaria fraco e minha mãe também.

Sabe o que vire e mexe escuto minha mamãe dizendo, e espero que você reflita sobre os momentos que você “ajuda” dando conselhos.

“Já ouvi tanta coisa para curar o câncer, só vou fazer o que os médicos dizem.

Minha mamãe está cansada de ouvir conselhos.

O que eu tenho está nas mãos de Deus, só vou passar por aquilo que preciso passar.

Minha mamãe reconhecendo a força da vida e vivenciando as circunstâncias assim como elas são.

E quando saio do papel de filho e falo que vou cancelar minha viagem para o Acampamento do Bert Hellinger minha mãe diz:

Já falei para você não se preocupar. Eu tenho amigas que vão me ajuda e sua irmã está aqui comigo. Eu dei a vida para você realizar seus sonhos, para você ser feliz. Eu tenho coisas para passar na minha vida e você tem coisas para passar na sua. Vá viver sua vida.

Na mesma noite eu estava sonhando e minha mamãe apareceu em meu sonho e disse:

Estou precisando de ajuda espiritual. Estão cuidando do meu corpo, mas eu preciso de ajuda espiritual.

Acordei e fui visitar minha mamãe e disse: Mãe, a senhora quer receber Reiki?

Uma amiga pode vir fazer na senhora, e conheço pessoas que podem fazer a distância. O que a senhora acha? Posso pedir essa ajuda?

E minha mamãe disse:

Sim.

Eu, Luiz Brites, sou filho e reverencio minha mamãe.

Eu, Luiz Brites reverencio Bert Hellinger.

Eu, Luiz Brites, sou filho e choro quando penso na saudade que vou sentir da minha mamãe, e as dores que ela vem sentindo.

Eu, Luiz Brites, honro minha mamãe e a história dela assim como é.

 Mamãe, quando a senhora morrer, eu sigo.  – Bert Hellinger

Amigos Reikianos eu digo: Gratidão Eterna.

Amigos e conselheiros de plantão eu digo: Interessante ponto de vista.

O que vai acontecer com minha mãe?

Eu acredito que o melhor.