Esse ano tem sido um dos mais desafiadores da minha vida, e não é apenas por ter dado o salto de coragem para uma nova maneira de expressar quem eu realmente sou através de um trabalho como o que vem acontecendo na minha vida pessoal.

Como minha ideia é sempre compartilhar mensagens positivas que possam trazer novas possibilidades para a sua vida, resolvi não compartilhar o que vem acontecendo comigo.

Até então não tive fichas espetaculares e estava fugindo do assunto (agora percebo isso), justificando que precisava de uma ficha mais significativa para compartilhar por aqui.

O ponto é:

Essa ficha nunca chegou e agora entendi que nunca chegará.

O que entendi é que não estou desesperado e correndo para todos os lados, pois graças às constelações familiares criadas pelo Alemão Bert Hellinger, encontrei um caminho de leveza perante todas essas situações.

Desta vez a lição já estava dentro de mim e a vida me trouxe a parte prática.

Agora vamos ao texto sobre o que aconteceu e que me colocou mais próximo de um dos maiores medos da minha vida.

SEU PAPAI E SUA MAMÃE MORRERÃO

Em fevereiro eu estava em casa trabalhando em meus textos e me preparando para ir participar de mais um Namastê em Extrema quando recebi uma ligação da minha irmã avisando que meu papai não estava muito bem.

A história era que ele tinha tentado conseguir uma ambulância desde a segunda-feira e já estávamos na quinta-feira e ele ainda não tinha conseguido liberação da Prefeitura.

Apesar de ele ter um bom convênio médico, este só libera ambulâncias para transporte de um hospital para outro.

Não existe a possibilidade de retirada de pacientes em casa, apenas transporte entre hospitais.

Assim sendo, meu papai estava aguardando uma ambulância da prefeitura para levá-lo ao hospital.

Liguei para ele e aí percebi que ele estava realmente mal.

A expectativa era que a ambulância chegasse apenas na segunda-feira seguinte, mas percebi que ele estava muito mal.

O que um filho pode fazer em uma situação dessas?

Percebi uma vontade forte de querer salvar meu pai, e a filosofia das constelações entrou em prática.

“Um filho apenas oferece cuidado e se faz presente”.

Tive essa preciosa lição no último Camp da Hellinger Schulle na Alemanha.

Uma participante perguntou para Sophie Hellinger o que poderia fazer pelos pais que não tinham dinheiro e poderiam passar necessidade.

Essa participante disse que era difícil estar na Alemanha vindo da China, que os pais não tinham dinheiro, e ela tinha.

Sophie Hellinger, sendo hellingeriana, deixou claro que os pais não querem dinheiro dos filhos.

Os pais querem filhos, os pais querem que os filhos sigam com a própriavida e a melhor coisa a fazer é oferecer cuidado, quando solicitado, e presença, Sophie disse:

“Ligue para eles todos os dias, não leve dinheiro. Ligue todos os dias, agradeça pela vida e diga que os ama.”

Eu, enquanto filho, pensei nisso naquele momento que meu pai estava passando mal ao telefone.

Ele disse que estava bem, mas sua esposa, que não é a minha mãe,pegou o telefone e disse que ele estava mal mesmo, e que ela também não sabia o que fazer visto que meu pai é alto e com mais de 85 quilos e, para ela, é difícil fazer algo.

Eu disse para ela que eu iria “ver o que faria”.

Pensei, pensei rapidamente e fiz algumas cotações de ambulâncias para buscar meu pai em sua nova casa,aproximadamente 300 quilômetros de São Paulo.

Em seguida liguei para meu pai e perguntei se ele gostaria que eu fosse buscá-lo com uma ambulância. Meu pai respondeu de forma rápida, ou seja, mental, questionando os valores e eu respondi:

Papai, o dinheiro não é o problema, pois graças ao senhor eu tenho força para trabalhar. Se o senhor permitir que eu ofereça esse cuidado e esse apoio, eu o farei com muita honra.

Um silêncio constrangedor tomou conta da conversa, e eu perguntei novamente.

Papai, posso ir buscar o senhor, o senhor permite esse cuidado?

Mais um pouco de silêncio e uma torcida gigantesca da minha parte, visto que eu já havia percebido que ele estava pior do que eu pensava.

Nunca tinha ouvido a voz do meu pai tão fraca daquele jeito.

O silêncio foi seguido da palavra mais linda que sempre compartilho como a palavra mais possibilitadora para os desafios da vida.

Meu papai disse: “sim”.

Contratei a ambulância e fomos buscá-lo. Fiquei algumas horas no carro, ele recebeu tratamento e voltou para casadele.

Alguns meses depois, minha irmã me ligou novamente.

Achei estranho, pois senti a mesma sensação quando vi minha irmã me ligando.

Dessa vez, quem estava no hospital era minha mãe.

Minha mamãe é pequena e graças a uma intervenção do meu cunhado, ela já estava no hospital.

Ela foi internada e eu fui visitá-la.

Ela estava com muita tontura e náuseas e os médicos não sabiam do que se tratava.

Ficamos alguns dias revezando as visitas e quem dormia no hospital com ela.

Alguns exames e outros exames e poucos resultados conclusivos.

Alguns dias passaram, e ver minha mãe com náuseas e não saber o que fazer e ficar ao seu lado oferendo cuidado,segurando um balde, foi algo bem desafiador.

Uma manhã eu estava com minha mãe no quarto do hospital e um médico trouxe o diagnóstico. O médico compartilhou de forma polida e amorosa:

Sua mãe está com câncer.

E agora? O que o filho faz?

Esse filho aqui chorou ao lado da sua mamãe, que também chorava, e no próximo texto compartilho o que um filho pode fazer em uma situação dessas que, novamente, graças a minha mãe, tenho a oportunidade de aprender cada vez mais colocando em prática o que Bert Hellinger nos ensina.