Sobre a Aceitação

Estava ouvindo um áudio do Bert Helling que chama “viagens internas”.

E algo chamou minha atenção.

O deixar é a maior ação sem ação.

Eu já havia ouvido o Deepak Chopra comentando sobre isso e o budismo também tem ensinamentos nesse sentido:

Nada a ser feito, nenhum lugar a ir.

Se você é como eu, deve ter se indagado:

Como assim devo ficar parado?

Como assim não agir?

Uma outra frase que desconheço o autor me trouxe maior compreensão sobre o que os grandes sábios já dizem há séculos.

Se um problema não tem solução é porque resolvido está.

Em um primeiro momento eu entendi que todas as frases acima remetem a aceitação.

Todas as situações são como são.

O momento atual é como é e se algo acontece que me traz algum incômodo, aceita que dói menos.

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No Ser árvore eu descrevo um pouco mais o que entendo sobre aceitação:

Aceite + ação = aceitação

Entretanto ontem a palavra deixar, conforme descrita pelo Bert Hellinger como sendo a ação da confiança me trouxe muitas novas perguntas.

Lembrei imediatamente minha mãe quando eu voltava para casa quando alguém tivesse pego no meu pé ou me “zoado”, tirado sarro da minha cara na escola ou na rua onde morávamos.

As sábias palavras da minha mãe eram:

“Deixa pra lá”

Na minha arrogância eu simplesmente rejeitava o que minha mãe dizia e me trancava no meu quarto.

Eu pensava que minha mãe não sabia o que eu estava sentindo.

Eu ficava me remoendo no meu quarto pensando o que aconteceria no dia seguinte.

Horas de pensamentos do tipo:

O que os outros amigos iriam dizer de mim?

O que vai acontecer se o fulano que tinha pego no meu pé voltasse?

Nada acontecia na maioria das vezes.

Eu havia ficado me remoendo em casa, virado a cara para minha mãe e nada acontecia.

Quando eu voltava para a casa, minha mãe vinha me perguntar se eu estava bem e se o fulano havia me incomodado de novo.

Adivinha o que eu fazia?

Isso mesmo, não dava o braço a torcer.

Dizia que ela não me entedia e voltava ao meu quarto.

Lembrando disso, reconheci o quanto as palavras de que minha mãe eram sábias.

De repente, me caiu uma ficha e, a novamente a única palavra em Alemão que sei aparece, “ fichaskaem”.

Lembrei dos Beatles.

Lembrei de “let it be”.

Minha tradução livre e pretensiosa dessa música é:

Quando eu me encontro com problemas, minha mãe Clarisse vem até mim falando palavras sábias:

Deixe estar, deixe ser.

Nossa verdadeira ação é definitivamente a não ação.

A verdadeira ação que exige uma grande força e dedicação é o deixar.

Deixar pra lá.

E agora? Você deve estar com vontade de me perguntar como posso aprender a deixar.

O processo que acredito é começar a praticar com coisas pequenas e todos os dias.

O famoso poder do hábito.

O trânsito pode ser uma grande oportunidade.

A próxima vez que alguém buzinar para você deixe pra lá.

Existe um incômodo da buzina. Deixar estar é controlar o impulso de reagir e mandar a pessoa para aquele lugar.

Também tenho pensado em qual seria a minha reação se eu percebesse que aquela pessoa que buzinou para mim ou me deu uma fechada fosse minha amiga.

Isso realmente aconteceu comigo.

Eu havia ficado todo bravinho com uma fechada. Já tinha tirado todas minhas armas verbais para atacar e gritar com a pessoa do outro carro quando pensei que a pessoa fosse conhecida.

Meu estado de ataque foi substituído por um sorriso e quando percebi que não era uma conhecida, me senti envergonhado em voltar com o arsenal apurado de ataques.

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FICHASKAEN:

Como seria atacar um amigo no trânsito?

Como seria se todos fossem meus amigos?

Eu simplesmente iria deixar estar e sorrir, não é mesmo?

Espero que você já tenha reconhecido o quanto pode ser difícil quando percebermos que deixar ser, deixar estar pode ser algo completamente novo.

Para mim pensar nisso foi durante algumas horas enquanto lembrava das pessoas da minha rua e escola.

Praticamente não me lembro dos nomes deles, mas é como se o que me foi dito na época ecoa até hoje dentro mim.

Não deixa pra lá não.

Vão te chamar de bobo.

Não deixa “ele” te tratar assim não.

Retruca na hora se não todos vão montar em você e te fazer de idiota.

O que vão pensar de você?

Comecei a dar gargalhadas quando pensei que a pessoa que mais me fazia de idiota era eu mesmo.

Retrucar, brigar, fazer birra, atacar, agredir, dizer que eu sou certo e o outro é errado são todos os movimentos do bobo, do tolo.

O verdadeiro sábio é aquele deixa estar  e contorna as situações.

O sábio confia que o que é seu sempre encontra um caminho.

Sem stress, sem briga.

O verdadeiro tolo questiona, o sábio deixa pra lá.

Como já dizia Jesus:

“De a outra face”.

Penso que quem dá a outra face, geralmente não recebe outro tapa.

Quem não dá a outra face, continua a briga.

Deixar pra lá.

Deixar ser.

Deixar estar é uma ação da alma silenciosa.

É uma expressão de amor a nós mesmos e aos outros

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Talvez compartilhar as 4 leis espirituais da índia seja interessante:

  1. Só acontece o que precisa acontecer. (“Deixe“)
  2. Só começa na hora certa. (“ Let it be”)
  3. Só termina na hora certa. (“Deixa pra lá)
  4. Quem precisa estar presente, estará presente. (“Let it be”)

Permitir é confiar que existe uma sabedoria superior por traz de tudo isso e que no momento que deixar e permitimos que ela flua em nossas vidas é na verdade se apropriar de toda sua força.

Plante uma semente de uma nova possibilidade e a deixe simplesmente crescer.

Quem deixa, se liberta e confia na vida.

E você, o que você pode deixar hoje?