Visão Sistêmica do Brasil [Por Juliana Braga]

Nessa semana compartilho um texto da minha amiga Juliana Braga.

Confira abaixo:

Visão Sistêmica do Brasil [Por Juliana Braga]

Por diversas vezes escutei discursos como:

Seria ótimo se o Brasil tivesse sido colonizado por X ou Y países, pois teríamos a herança Y ou Z.

E através desde enfoque é possível termos uma visão sistêmica sobre nossa sociedade atual e suas relações.

Vivo há pouco mais de 2 anos e meio no exterior, trabalhando com grupos de empoderamento feminino assim como terapias integrativas.

Quando estamos “distantes de casa” temos uma tendência natural de supervalorização ou subvalorização das nossas raízes, vindas da nossa percepção de mundo, experiências positivas e negativas e consciente coletivo, o qual determina crenças e esteriótipos.

Como isso é possível?

Você certamente deve conhecer pessoas ao seu redor que criticam ou julgam seus pais, desvalorizam ou atribuem a eles todos os seus insucessos.

Aliás eles são responsáveis por eles.

Afinal, eles não foram bons o suficiente em sua criação, deveriam ter feito mais, provido mais, doado mais ou doado menos.

Eles não acertaram na medida.

Estas pessoas até reconhecem que não há pais perfeitos, mas os seus, deveriam ter feito melhor.

Mesmo que sintam a necessidade de seguir destinos e caminhos opostos aos seus pais, sentem-se presos a eles, e os culpabilizam por sua não ação.

E “se” tivessem agido desta maneira, e “se” não tivessem feito daquela forma?

Com certeza teriam dado um diferente direcionamento para suas vidas.

Mas eles não o fizeram.

Simples e exclusivamente porque eles fizeram exatamente o que poderiam ter feito, dentro de suas crenças, sombras, limitações e muitos erros e acertos.

O que isso significa?

Dentro desta perspectiva o indivídio se vitimiza diante da não ação do outro e assim paralisa.

Não dou a vida o espaço devido dentro da minha responsabilidade de construí-la, há sempre uma falta atribuída ao outro.

E esta é a chave.

Nestas minhas andanças conheci brasileiros que vivem em diversos países, e atribuir à Portugal a culpa pelo que somos hoje é dar ênfase ao sentimento de exploração latente.

Que bom seria se fossemos colonizados por ingleses, não?!

Afinal de contas os Portugueses dominaram as nossas terras, exploraram o pau brasil, doutrinaram os índios, trouxeram crenças e construíram um sistema de escravidão.

Estamos vivendo como vítimas de nossa história mesmo depois de 500 anos.

Isto lhe parece familiar?

Seria como Brasil filho, Portugal pai.

Como é possível sermos agentes de nossa própria história?

A partir do momento que resignificamos nossa relação com o passado valorizando seus pontos de valia, pois tanto o excesso quanto a escassez trazem desequilíbrio, mas foram elas que constituíram quem nós somos.

Nesta minha jornada de autoconhecimento e resgate de ancestralidade em Portugal, percebi o quanto nossa cultura é viva por lá.

O quão bem recebido nós somos.

Quando o passado é respeitado como é e como foi, sem com que ele venha a ser engrandecido ou diminuído, então o passado servirá ao futuro de bom grado. – Bert Hellinger

Ficamos paralisados quando não deixamos o passado passar.

Vibrando na queixa, desvalorização, julgamento, dor e sofrimento.

Assim, eu saio do papel de vítima e olho ao meu passado com gratidão, compreendendo a minha real responsabilidade sobre a construção de hoje, de quem hoje sou.

Que possamos nos conectar ao meus, aos seus, aos nossos antepassados e trazer a nós a vivacidade que ainda hoje permanece em nós.

Que cheguem em nossos corações e fiquem.

Gratidão aos que aqui chegaram, indígenas, povos africanos, imigrantes europeus e asiáticos.

Gratidão aos que aqui primeiramente chegaram e pertenceram para que hoje sejamos esta diversidade de raças, culturas e etnias.

Gratidão a esta miscigenação e grande riqueza cultural.

Gratidão pai e mãe.